A tecnologia continua revolucionando o ciclismo profissional, e a mais recente inovação pode mudar significativamente a forma como as equipes acompanham e analisam as corridas. Alguns carros de equipes do pelotão internacional já estão sendo equipados com internet via satélite, permitindo acesso a dados em tempo real, transmissão de vídeo e comunicação mais eficiente durante as provas.
O sistema, baseado em redes como a da SpaceX através do serviço Starlink, começou a aparecer em corridas do calendário WorldTour em 2025 e ganhou destaque em competições recentes como a Tirreno-Adriático.
Nova tecnologia melhora comunicação durante as corridas
Nos carros que acompanham o pelotão, normalmente estão dois membros da equipe: o diretor esportivo que dirige o veículo e outro responsável por acompanhar a corrida em tempo real e analisar dados estratégicos.
Com a internet via satélite instalada no carro, as equipes conseguem:
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assistir à transmissão da corrida em alta qualidade
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acessar dados de desempenho dos atletas
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consultar perfis detalhados das etapas
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analisar posicionamento e estratégia em tempo real
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melhorar a comunicação com os ciclistas pelo rádio
Essas informações permitem que os diretores esportivos tomem decisões mais rápidas e precisas durante momentos críticos da corrida.
Fim de um problema antigo: falta de sinal nas montanhas
Antes dessa tecnologia, os carros das equipes dependiam de redes móveis 4G ou 5G para acessar a transmissão da corrida e dados estratégicos.
Esse sistema frequentemente apresentava problemas em regiões remotas, especialmente em:
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etapas de alta montanha
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áreas rurais com cobertura limitada
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locais com grande concentração de público conectado
Quando isso acontecia, os diretores esportivos podiam perder imagens da corrida exatamente nos momentos decisivos.
Com a internet via satélite, a conexão se torna muito mais estável, já que o sinal não depende de torres de telefonia celular.
Transmissão mais rápida significa vantagem tática
Outro benefício importante da tecnologia é a redução no atraso das imagens da corrida.
Enquanto a transmissão baseada em redes móveis pode apresentar até um minuto de atraso, a internet via satélite reduz esse tempo para cerca de 20 segundos.
Em um esporte onde ataques, quedas ou mudanças de ritmo acontecem rapidamente, essa diferença pode representar uma vantagem estratégica importante para as equipes.
Equipamento já aparece nos carros do pelotão
As antenas de internet via satélite são facilmente identificáveis: pequenas placas brancas quadradas instaladas no teto ou em suportes externos dos carros de equipe.
Dependendo da configuração, elas podem ser posicionadas:
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no teto do veículo
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no capô
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em suportes acima do rack de bicicletas
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em pequenos mastros para melhorar a recepção do sinal
Equipes como a Team Visma | Lease a Bike e a Lidl-Trek foram algumas das primeiras a testar a tecnologia, que rapidamente começou a se espalhar pelo pelotão.
Um novo “ganho marginal” no ciclismo moderno
No ciclismo de alto rendimento, qualquer pequeno avanço tecnológico pode representar vantagem competitiva. Por isso, a internet via satélite já é considerada mais um exemplo de “marginal gain”, conceito popularizado no esporte para definir melhorias pequenas, mas que podem influenciar diretamente no resultado de uma corrida.
Com acesso mais rápido a informações, transmissões e análises estratégicas, as equipes conseguem reagir com maior rapidez a ataques e situações inesperadas no pelotão.
Com a rápida evolução das tecnologias de comunicação, a tendência é que cada vez mais equipes adotem sistemas de internet via satélite, tornando essa inovação um novo padrão no ciclismo profissional.
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Fontes: CyclingNews.


