A Tirreno-Adriatico 2026 — também chamada de Corrida dos Dois Mares — teve seu percurso oficial apresentado pela RCS Sport para sua 61ª edição, que será disputada entre 9 e 15 de março de 2026 na Itália.

A prova terá 7 etapas com um total de cerca de 1.170 km e 15.550 metros de desnível acumulado, mantendo o tradicional caráter seletivo da competição.

🏆 Destaques do Percurso

📍 Sem chegadas no cume: Ao contrário de edições recentes, a corrida de 2026 não terá uma etapa com chegada no topo de montanha, mas ainda assim apresenta desafios técnicos e muitos trechos exigentes.

📍 Terreno variado: Está confirmada uma mistura de contrarrelógio plano, trechos ondulados, setores de estrada de terra (gravel) e subidas curtas e íngremes em algumas etapas decisivas.

📍 Rodada entre cinco regiões italianas: A prova cruzará regiões como Toscana, Úmbria e Marche, testando resistência, técnica e estratégia dos ciclistas.

🗓️ 1ª Etapa — 09/03/2026

Lido di Camaiore › Lido di Camaiore — CRI — 11,5 km
A Tirreno-Adriatico começa com um contrarrelógio individual plano perfeito para especialistas em tempo. O percurso segue reto ao longo das avenidas costeiras de Camaiore e Viareggio, exigindo potência e técnica de pilotos como Filippo Ganna, especialistas em crono. A única complexidade técnica real é o retorno em U no km 5,4 em Viareggio, que pode ser decisivo para ajustar ritmos e controlar o vento costeiro antes da linha de chegada com curva em “S”. Essa etapa é frequentemente chave para estabelecer a Maglia Azzurra logo no começo.

🗓️ 2ª Etapa — 10/03/2026

Camaiore › San Gimignano — 206 km
Uma das etapas mais esperadas da Tirreno-Adriatico: começa com terreno ondulado e transição costeira antes de entrar no interior da Toscana. Há subidas clássicas no caminho, incluindo a subida pela estrada de Cerreto com rampas de dois dígitos, que pode criar gaps no pelotão. O destaque é o setor de 5,3 km de estrada de terra (gravel) na entrada da zona final, com trechos de cascalho em subida que testam equilíbrio e posicionamento — perfeito para ataques puncheurs ou escapadas de grupos médios. O final ocorre no centro de San Gimignano, com rampa curta de até 15%, favorecendo os corredores explosivos e especialistas em clássicas que conseguem manter explosão após dias de corrida.


🗓️ 3ª Etapa — 11/03/2026

Cortona › Magliano de’ Marsi — 225 km
A formidável quilometragem de 225 km faz dessa etapa a mais longa da edição e um teste de resistência essencial antes das etapas decisivas da segunda metade da semana. O terreno é suave e ondulado, passando por áreas como Todi e Marmore, com pequenas elevações que desgastam sem grandes escaladas. Nos últimos 15 km, há uma subida gradual (~3% em média) que pode favorecer ataques de puncheurs ou grupos desgarrados. Geralmente é uma etapa em que o pelotão controla a fuga aguardando um possível sprint reduzido ou uma quebra estratégica próxima ao fim.

🗓️ 4ª Etapa — 12/03/2026

Tagliacozzo › Martinsicuro — 210 km
Essa etapa combina longas descidas, subidas íngremes e terreno variável dos Apeninos, marcando o início das fases realmente duras. Após duas subidas clássicas (Ovindoli e Valico delle Capannelle), há uma descida técnica em direção a Teramo que testa a habilidade em curvas e controle de velocidade dos pelotões. A partir do km 12 até 8 km do fim, o percurso apresenta séries de subidas curtas e rampas íngremes, incluindo o segmento de Tortoreto via Badetta, onde as inclinações podem chegar a 20% — ideal para ataques explosivos de escaladores curtos e puncheurs. O trecho final plano até Martinsicuro pode favorecer um grupo reduzido chegando junto.

🗓️ 5ª Etapa — 13/03/2026

Marotta/Mondolfo › Mombaroccio — 186 km
Considerada uma das etapas mais seletivas, esta jornada apresenta um perfil constante de sobe e desce, com pelo menos dez subidas classificadas, incluindo subidas no Vale do Rio Metauro e a contínua escalada do Monte delle Cesane com trechos em torno de 15% de inclinação. No final, entra-se em um circuito de 21,6 km percorrido duas vezes, com rampas constantes e a dura escalada até o Santuario del Beato Sante logo antes da chegada. Essa etapa provavelmente será uma das mais importantes para definir a classificação geral, com ataques fortes nos últimos 30 km.

🗓️ 6ª Etapa — 14/03/2026

San Severino Marche › Camerino — 189 km
A sexta etapa é apontada como uma das mais difíceis de toda a Tirreno-Adriatico 2026. Apresenta muitas subidas e descidas ao longo do percurso, destacando-se a ascensão ao Sassotetto (Valico di Santa Maria Maddalena), tradicionalmente usada em outras edições como etapa rainha, mas aqui aparece no meio da prova, abrindo caminho para a parte decisiva. Após a chegada em Camerino, o pelotão encara duas voltas em um circuito de 29,1 km, que inclui o Muro della Madonna delle Carceri, com até 18% de inclinação nos últimos 3 km. Esse circuito final, repetido, é perfeito para ataques de escaladores explosivos e pode quebrar a geral nas voltas finais.

🗓️ 7ª Etapa — 15/03/2026

Civitanova Marche › San Benedetto del Tronto — 143 km
A última etapa é menos técnica em subidas, favorecendo os velocistas e um final emocionante. O trajeto segue a costa do Adriático, atravessando o Vale do Aso e passando por pequenos relevos até uma descida longa em direção a Grottammare. O final é em um circuito urbano de cerca de 15 km repetido cinco vezes, praticamente todo plano, ideal para um sprint em massa. É a etapa em que as equipes de sprint podem recuperar glória e ocorre tradicionalmente a luta pelo Tridente de Neptune, troféu icônico da Tirreno-Adriatico.


🧠 Insights e Chances Táticas

✔ A 2ª etapa com gravel + subida final pode desorganizar pelotões e favorecer puncheurs (diferente de um escalador puro, que brilha em montanhas longas nos Alpes ou Andes, o puncheur é o mestre das "pauladas" ou "arrancadas" (os punches).).

✔ A combinação de 5ª e 6ª etapas concentra os maiores desafios de classificação geral, com curta escalada + circuito duro no final.
✔ A 1ª e 7ª etapas favorecem croners e velocistas, respectivamente, oferecendo diferentes oportunidades de vitória de etapa.

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Fontes: tirrenoadriatico.it / domestiquecycling.com / Cyclingnews.com