O maior encontro de freeride da América Latina retornou para sua sexta edição, provando que o futuro do freeride está na comunidade, tanto quanto nas competições.

Há algo especial em assistir ao pôr do sol sobre o La Soledad Bike Park. À medida que a luz dourada se espalha pela paisagem mexicana, nos arredores de Guadalajara, o local se transforma em algo que parece menos um evento típico de mountain bike e mais uma verdadeira troca cultural entre a cena global do freeride e a comunidade local.

Isso é o Freeride Fiesta e, no dia 24 de janeiro de 2026, o evento voltou para sua sexta edição com toda a magia que o tornou um dos mais aguardados do calendário do freeride.


A visão por trás da loucura

Desde o primeiro dia, o Freeride Fiesta teve como foco unir grandes pilotos à comunidade local mexicana, criando algo que vai além de um simples evento de bike. Fundado pelo atleta da Red Bull Johny Salido, ao lado do construtor profissional de trilhas Oscar “Toboganster”, o evento cresceu exponencialmente desde sua estreia em 2021, consolidando-se como um pilar dos esportes extremos no México e além.

O formato é simples e eficaz: uma semana inteira de jam session que culmina em um dia aberto ao público, permitindo que qualquer pessoa acompanhe de perto o freeride de nível mundial. Apenas pilotos, obstáculos e liberdade total para testar limites ou simplesmente curtir a sessão. Essa abordagem cria um ambiente onde a cultura floresce, os atletas experimentam sem pressão e os mais jovens ganham experiência valiosa em obstáculos de verdade.


Um percurso feito para inspirar

O percurso deste ano conta com 700 metros de saltos e algumas das maiores rampas da América Latina, redesenhadas pela colaboração entre Johny Salido, Clemens Kaudela e Oscar Toboganster. As reformas para 2026 elevaram um local já impressionante a um novo patamar. Cada obstáculo conta uma história — desde step-downs que exigem compromisso até road gaps que pedem precisão e estilo.

A filosofia do traçado reflete a missão do evento: criar um verdadeiro campo de provas onde pilotos em ascensão possam se destacar ao lado de veteranos consagrados. Cada rampa, cada recepção e cada transição foi moldada com intenção, oferecendo desafio e oportunidade na mesma medida.


Os pilotos: juventude encontra experiência

A lista de atletas de 2026 parece um verdadeiro “quem é quem” do freeride moderno, no masculino e no feminino, reunindo várias gerações e mostrando o alcance global da modalidade. Entre os destaques está Weston Lukens, de apenas 11 anos, um jovem talento que já chama atenção no freeride mundial, dividindo o percurso com profissionais experientes e de currículo impressionante.

O elenco representa uma diversidade incrível, com pilotos vindos da Espanha, Áustria, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Chile, Suíça, Grécia e México, entre outros países.

O que torna essa lista especial não é apenas o nível técnico, mas a mistura: veteranos orientando novos talentos. Um tipo de construção de comunidade orgânica que competições formais dificilmente conseguem reproduzir.


Muito mais do que bicicletas

Se você acha que o Freeride Fiesta se resume a ver pessoas se lançando de saltos gigantes — o que por si só já valeria o ingresso — está perdendo metade da experiência. O evento também conta com praça de alimentação, encontros com atletas, piñatas, bebidas, música e até motos off-road.

A gastronomia fica por conta de vendedores locais, servindo pratos típicos de Jalisco para manter pilotos e público bem alimentados ao longo do dia. Os encontros com atletas oferecem um acesso raro aos maiores nomes do esporte, quebrando barreiras entre profissionais e fãs. Crianças fazem perguntas, jovens pilotos recebem conselhos e todos saem se sentindo mais conectados ao freeride.


O impacto na comunidade

O objetivo final do evento vai além de oferecer um grande espetáculo: ele busca expandir a cena do freeride em toda a América Latina e além. Ao trazer atletas de nível mundial para Guadalajara e abrir o evento à comunidade local, o Freeride Fiesta planta sementes que ajudam a formar a próxima geração de pilotos.

O crescimento fala por si só. De cerca de mil espectadores em 2022 para 2.500 em 2024, o evento mostrou que existe uma demanda real pela cultura do freeride no México. Mais importante ainda, mostrou aos jovens locais que esse tipo de pilotagem é acessível, que o esporte não se limita à América do Norte ou à Europa, e que eles também podem alcançar o mais alto nível com dedicação e oportunidade.


Por que isso importa

O Freeride Fiesta representa exatamente o que o freeride moderno precisa: espaços onde a cultura prospera, a experimentação é incentivada, os jovens desenvolvem habilidades reais em obstáculos reais e a comunidade permanece inseparável da pilotagem.

O formato não competitivo é mais importante do que parece. Sem a pressão de notas e resultados, os pilotos tentam manobras que talvez não arriscassem em uma competição. Eles colaboram em vez de competir, compartilham ideias e comemoram as conquistas uns dos outros. O clima se mantém positivo porque todos têm o mesmo objetivo: andar forte, superar limites e se divertir ao máximo.

Agora em sua sexta edição, o evento construiu silenciosamente pontes entre cenas, países e gerações, mantendo uma atmosfera divertida que faz os pilotos voltarem ano após ano. Essa continuidade é valiosa. Qualquer um pode organizar um evento isolado, mas criar algo que as pessoas realmente queiram revisitar, que a comunidade abrace e que cresça de forma orgânica, isso é especial.


Olhando para o futuro

Quando a edição de 2026 chegou ao fim, com o sol se pondo mais uma vez atrás das montanhas, pilotos e espectadores saíram com cartões de memória cheios e lembranças ainda mais cheias. A evolução foi clara — manobras maiores, estilos mais suaves, jovens talentos se destacando — mas o espírito permaneceu o mesmo.

O Freeride Fiesta 2026 nos lembrou por que nos apaixonamos pelo mountain bike. Não pelos likes, patrocínios ou resultados, mas pela alegria pura de pedalar com amigos, testar limites e fazer parte de algo maior. Em Guadalajara, regado a cerveja e tacos, esse espírito segue mais vivo do que nunca.

O sucesso do evento aponta um caminho claro para o futuro: priorizar a comunidade em vez da competição, valorizar a cultura local e criar oportunidades para a próxima geração, enquanto se celebra a atual. Se é assim que o freeride latino-americano se apresenta, o futuro é extremamente promissor.

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Fonte: https://www.pinkbike.com/