A preparação de pré-temporada no ciclismo profissional vem ganhando cada vez mais métodos inovadores — e o que o norueguês Jonas Abrahamsen (Uno-X Mobility) faz chamou atenção em todo o pelotão do WorldTour. O atleta revelou que realiza treinos longos no rolo indoor, combinados com sessões em calor extremo dentro de um banheiro aquecido, alcançando temperaturas próximas de 35 °C.
A estratégia, que parece inusitada à primeira vista, está alinhada com uma tendência crescente no esporte: o chamado heat training, ou treinamento em calor, usado para melhorar desempenho e adaptação fisiológica.
Treino no rolo e calor extremo: como funciona a preparação de Jonas Abrahamsen
Morando na Noruega, onde o inverno impede treinos ao ar livre, Abrahamsen realiza grande parte da pré-temporada no rolo de treinamento, acumulando sessões de:
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até 190 km em cinco horas
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intervalos entre 340 e 375 watts
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ambientes fechados com temperatura simulada de 30 a 35 °C
Segundo ele, além do treino físico intenso, o fator mental é decisivo:
“É doloroso, mas me fortalece mentalmente.”
O ciclista revela que usa um banheiro com aquecedor no máximo e porta vedada, criando uma espécie de sauna ciclística antes e durante parte do treino.
Por que os ciclistas profissionais estão aderindo ao heat training?
O heat training se tornou uma das maiores tendências recentes no ciclismo profissional. Pesquisas mostram que treinar em calor controlado gera adaptações fisiológicas como:
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aumento de volume plasmático (melhora o transporte de oxigênio)
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melhor termorregulação e sudorese mais eficiente
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ativação de heat shock proteins
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redução de estresse térmico durante competições
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melhora de desempenho mesmo em clima neutro ou frio
Estudos apontam ganhos médios de 9% a 10% no desempenho após 10 a 14 dias de aclimatação ao calor.
Essas evidências reforçam que o método de Abrahamsen, longe de improvável, é cientificamente embasado.
Treino indoor com calor: uma tendência forte no WorldTour
Nos últimos anos, o rolo deixou de ser apenas uma ferramenta emergencial para se transformar em recurso de alto rendimento.
Equipes do WorldTour, especialmente as que se preparam para provas em regiões quentes ou para grandes voltas, já adotam rotinas semelhantes.
Ciclistas como Tadej Pogacar também usam métodos de adaptação ao calor, e treinadores de ponta têm incluído sessões controladas em ambientes aquecidos na rotina de inverno.
Essa combinação — rolo + calor — se tornou estratégica porque:
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permite treinos longos mesmo sob inverno rigoroso
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melhora a resistência mental
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ajuda na preparação para corridas de calor intenso
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aumenta a capacidade de manter altas potências por longos períodos
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simula condições extremas sem depender de clima externo
Para atletas que vivem em países nórdicos, o método é ainda mais valioso.
Benefícios e cuidados ao treinar no calor
Principais benefícios
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melhora cardiovascular e incremento de VO2
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adaptação ao calor para provas como Tour, Vuelta, Mundiais e clássicas
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aumento da resistência mental
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ganhos de performance em esforços prolongados
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manutenção da forma mesmo em meses gelados
Cuidados essenciais
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hidratação reforçada
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reposição de eletrólitos
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controle de duração e intensidade
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supervisão de treinador quando possível
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manutenção da bike (suor acelera corrosão)
Seguir um protocolo estruturado é fundamental para evitar sobrecarga térmica.
Pré-temporada extrema, mas totalmente estratégica
O caso de Jonas Abrahamsen deixa claro que o ciclismo profissional está cada vez mais dominado por métodos científicos e adaptações específicas. A criatividade — como treinar no banheiro — se soma à tecnologia e ao conhecimento fisiológico moderno.
O norueguês mostra que, mesmo sem estrutura luxuosa, é possível aplicar o que há de mais avançado em adaptação ao calor, aumentando as chances de início de temporada explosivo em 2026.
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Fontes: Giro do Ciclismo, Marca, CyclingNews, Bicycling, ScienceDirect, Ativo, GoRide, TrainingPeaks, RoadBikeRider, UOL
