Conhecida como a “terra das mil colinas”, Ruanda se prepara para fazer história ao sediar, em sua capital Kigali, o primeiro Campeonato Mundial de Ciclismo de Estrada realizado no continente africano.
O país, marcado por paisagens verdejantes e uma forte cultura ciclística, deve atrair milhares de torcedores às margens das estradas. A competição terá início em 21 de setembro, com as provas de contrarrelógio individual feminino e masculino de elite.
Na semana seguinte, os holofotes se voltam para a prova de resistência masculina, no dia 29, com 267,5 km de percurso considerado o mais duro da história do evento. O grande favorito é o esloveno Tadej Pogacar, atual astro do ciclismo mundial, dono de duas vitórias no Tour de France (2020 e 2021) e campeão de grandes clássicas como Liège-Bastogne-Liège e Giro de Lombardia.
Um Mundial histórico em meio a controvérsias
A escolha de Ruanda como sede é vista como um marco para o ciclismo e para a África, mas também não está isenta de polêmicas. Grupos de direitos humanos criticaram a decisão, acusando o governo ruandês de usar o esporte como “sportswashing”, em meio a alegações de apoio a rebeldes do grupo M23, que atuam no leste da vizinha República Democrática do Congo.Questões de segurança foram levantadas durante a preparação do evento. Ainda assim, o presidente da União Ciclística Internacional (UCI), David Lappartient, garantiu que não existe “plano B” e defendeu a realização em Kigali como uma oportunidade única de globalizar o ciclismo e inspirar uma nova geração de atletas africanos.
“Acredito que a decisão correta é estar em Ruanda. Nunca tivemos um Mundial na África. Sabíamos que haveria desafios, mas teremos corridas incríveis e imagens que vão rodar o mundo”, destacou Lappartient, em entrevista à revista Cyclist.
Ruanda e o futuro do ciclismo africano
Ruanda já é palco tradicional do Tour de Rwanda, uma das provas por etapas mais importantes do calendário africano, que ao longo dos anos tem revelado talentos locais e atraído equipes internacionais. O Mundial é visto como uma chance de consolidar o país como centro de referência do ciclismo no continente.A expectativa é de que o evento não apenas fortaleça a imagem de Ruanda como destino esportivo, mas também abra caminho para que mais ciclistas africanos ganhem espaço nas grandes competições mundiais.
Com Pogacar na briga pelo ouro e um cenário desafiador nas estradas de Kigali, a edição de 2025 promete ser um Mundial histórico, tanto pela competitividade quanto pelo simbolismo de levar o maior evento do ciclismo de estrada à África pela primeira vez.
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Fonte: https://dailynerd.com.br/noticias/tadej-pogacar-eyes-gold-em-ruanda-hills-no-primeiro-campeonato-mundial-de-ciclismo-africano/196526/
