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Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná

Percurso que interliga os sete municípios do Litoral do Paraná abre a possibilidade de que o turismo da região ganhe mais perenidade durante todo o ano e, o melhor de tudo, que seja desenvolvido provocando um baixo impacto ambiental.

Expedição Rota Caiçara do Programa Ciclovida UFPR – Foto: Felipe Roehrig.

Implantação

A implantação de rotas cicloturisticas apesar de ser um desafio árduo tem despertado, no mínimo, olhares curiosos, tanto de profissionais do turismo, quanto de legisladores. Isso se deve ao fato de que está sendo percebido o excelente custo-benefício oferecido quando se trata de elaborar um roteiro de cicloturismo, que em geral não requer grandes recursos e, ao mesmo tempo, é perene. Essa visão foi também captada no Litoral, onde está sendo desenvolvida a Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná.

Expedição Rota Caiçara de Cicloturismo. Foto: Felipe Roehrig

Sete municípios do Litoral Paranaense

Na prática, a ideia de implementar um caminho passível de ser feito de bicicleta entre os sete municípios litorâneos surgiu após muita conversa, sempre de forma participativa e coletiva. Oficialmente batizada de Rota Caiçara de Cicloturismo (RCCiclo), o caminho se trata de um “projeto guarda-chuva”, pois em sua composição estão três “ações embrionárias”:

  • Programa de Extensão Ciclovida – Fase II, sob a coordenação de José Carlos Belotto;
  • o Projeto de Extensão “Governança Participativa para o Turismo de Base Comunitária, Ecoturismo e Turismo de Aventura no Litoral do Paraná”, de autoria da Profª. Beatriz Cabral, da UFPR;
  • e o Projeto de Extensão Cicloturismo e Turismo de Base Comunitária, do Prof. Dr. José Pedro Da Ros.
Programa Ciclovida UFPR – Foto: Felipe Roehrig.

Leque de possibilidades

Originalmente, a Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná nasce para fazer a interligação entre os sete municípios do litoral do estado. Mas, apresenta a possibilidade de conexões futuras com a Região Metropolitana de Curitiba e com os estados de São Paulo e Santa Catarina. Nesse caso, tem-se sempre em mente as premissas de valorização da cultura caiçara e os empreendedores e iniciativas de turismo com bases na sustentabilidade, com foco nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS’s). A meta a ser alcançada diante de tudo isso é a ampliação do fluxo turístico para o litoral do Paraná e a valorização das diferentes vocações turísticas da região.

No entanto, para que isso de fato aconteça, a governança da Rota Caiçara pretende fortalecer parcerias com órgãos públicos, empreendedores locais e organizações comunitárias, além de desenvolver pesquisas, realizar mapeamento e promover capacitações.

Expedição Rota Caiçara do Programa Ciclovida UFPR – Foto: Felipe Roehrig.

Estabelecendo parcerias

Dentro desse contexto da realização de mapeamentos e capacitações, o Lobi Ciclotur atua como um importante parceiro da Rota Caiçara, sendo consultor oficial no desenvolvimento dos caminhos autoguiados pelo Litoral. E isso tudo acontece também graças ao respaldo dado por órgãos governamentais, como a Paraná Turismo e a Invest Paraná. A primeira deu pareceres favoráveis aos projetos apresentados pelo Lobi nas instâncias do governo, enquanto que a segunda sugere que os recursos advindos das fontes do governo sejam utilizados para promover a Rota Caiçara, o que demonstra a importância desse caminho para o Estado.

Amigos do Lobi na PR 410, Mata Atlântica, Antonina, Paraná. Foto: José João da Silva

Criação de vínculos com o local

Desde que teve o seu marco inicial no dia 4 de março de 2020, a Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná foi pensada já em sua concepção para figurar como uma rota macro com roteiros complementares em cada município ou Unidade de Conservação por onde passe. Dessa forma, busca-se prestigiar as iniciativas que já existiam anteriormente à criação da RCCiclo.

Além disso, outra forma de criação de vínculo com o ente local, a Rota possui um recorte único voltado ao Turismo de Base Comunitária (TBC), ou seja, o protagonismo das comunidades locais no turismo da sua respectiva região. E esse é justamente um dos principais papéis do cicloturismo, proporcionar uma maior geração de fluxo de visitantes para estas iniciativas que não raro têm pouca visitação.

Alunos do Programa Ciclovida UFPR Litoral. © Felipe Roehrig.

Turismo o ano todo

Logo, o cicloturismo também é uma oportunidade de fazer com que o Litoral ganhe mais opções de atividades turísticas que possam ser feitas durante todo o ano. A maioria das regiões litorâneas do Brasil sofre com a sazonalidade, na qual o turismo acontece com maior força durante a temporada de Verão. A Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná, portanto, entra como uma possibilidade de transformar esse cenário. Imagina-se outro turismo para os sete municípios da região, um turismo que possa ser feito durante todo o ano, com baixo impacto ambiental e que ainda gere renda.

Além disso, que tenha como foco a promoção de IDH, uso e conservação para as diversas Unidades de Conservação presentes na região. As UC’s do Litoral, aliás, abrigam o maior remanescente de Mata Atlântica do Brasil, trecho este que integra a Grande Reserva Mata Atlântica nos setores Serra do Mar Lagamar e Serra do Mar Sul.

Amigos do Lobi no rio Cachoeira, Mata Atlântica, Antonina. Foto: José João da Silva

Envolvimento da comunidade

Pensando além do turismo, é interessante entender que o destino turístico só é bom para o visitante se antes for bom para quem nele vive. Por isso, faz-se necessário refletir antes de tudo na questão da ciclomobilidade, conceito que traduz a capacidade de um lugar poder ter seus percursos usados cotidianamente pela população local para deslocamentos de bicicleta.

Para a concepção da Rota, foi necessária uma série de ações que envolveram a comunidade e outros atores sociais. Vale lembrar que, em sua maioria, essas ações aconteceram já dentro do contexto da pandemia. De forma resumida, o percurso metodológico que inspirou o surgimento da Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná seguiu o caminho exposto nos tópicos a seguir.

Amigos do Lobi no trecho da Rota Caiçara no Litoral do Paraná. Foto: José João da Silva

1 – Inventário Participativo  

Em outras palavras, foi uma conversa inicial/introdutória com possíveis atores sociais, denominada “Levantamento participativo para o cicloturismo no litoral do Paraná (Rota Caiçara de Cicloturismo)”. Foi composta por uma série de reuniões remotas envolvendo os possíveis atores sociais dos sete municípios do litoral do Paraná. Durante essas reuniões foram estabelecidas parcerias com atores sociais locais para a promoção da ciclomobilidade. Um ponto importante é que nesse momento entendeu-se que esta seria a única forma de concretizar o projeto: de forma horizontal, coletiva e participativa. 

2 – O Estado da Arte da RCCiclo

Foi feito um mapeamento do que já existe ou existiu sobre cicloturismo na região para se chegar a um diagnóstico sobre as possibilidades para a Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná. A ideia desde o princípio foi a de não sobrepor este projeto a outros que possivelmente já existem. Ao contrário, a intenção foi a de sempre valorizar tudo que já havia sido construído nesta área. Os diversos roteiros, rotas e possíveis atrativos turísticos presentes figurarão como complementares, enriquecendo ainda mais a oferta e contribuindo para o aumento da demanda.

Rota Caiçara em Guaraqueçaba Foto: Felipe Roehrig.

3 – Benchmarking de cicloturismo

Tratou-se de uma conversa com especialistas sobre as boas práticas de cicloturismo no Brasil e no mundo. Durante quatro semanas foi realizada uma série de webinários, que foram denominados “Construindo o Circuito Caiçara de Cicloturismo: conversas com especialistas”. 

4 – Expedição Caiçara de Cicloturismo

Ademais, essa etapa consistiu na testagem e validação dos 340 quilômetros de rota que haviam sido desenhados de forma remota. Uma equipe de bolsistas e voluntários percorreu o trajeto em julho de 2021 com olhos atentos nos chamados pontos de interesse. Para tanto, foi utilizada a ferramenta “Classificação de percursos, Cicloturismo” (NORMA BRASILEIRA ABNT NBR 15509-2 de 2017), que por uma questão prática teve que ser impressa para os ciclistas no formato diário de bordo.

5 – Etapa atual

Atualmente, a equipe da RCCiclo encontra-se na etapa de realização de reuniões com os Conselhos Municipais de Turismo, que compreendem além das Secretarias Municipais, associações, trade turístico e outros atores sociais. Os objetivos desses encontros são:

  • Aproximação do município (articulação institucional) com a equipe da Rota​;
  • Definição de um ponto de comunicação com um representante técnico de cada município para o auxílio nas respostas às lacunas locais​;
  • Validação do traçado testado​;
  • Definição da vocação turística do município em relação ao trecho da Rota;

– Discussão de possibilidades para implantação de uma “cicloparagem” pública do município, financiada e gerida pelo mesmo, onde haja a possibilidade da construção de um museu da cultura caiçara que agregue também um centro de informações turísticas, centro de recepção ao visitante, entre outros.

Duarante a Expedição Rota Caiçara do Programa Ciclovida UFPR – Foto: Felipe Roehrig.

6 – Consolidação da Rota Caiçara

Após as reuniões com os conselhos de turismo de cada um dos sete municípios será o momento de consolidação do traçado e dos atrativos, além da entrega da chamada “viabilidade técnica preliminar”. Essa etapa consistirá em uma leitura do território considerando os seguintes elementos:

  • Mapeamento de atrativos e vias existentes (pontos de interesse);
  • Descritivo dos atrativos e horários de visitação;
  • Estruturação de facilidades como bicicletário, estacionamento, lista de prestadores de serviços (alimentação, hospedagem, oficinas);
  • Vias: dominialidade, características e condições físicas, tipo de pavimento, volume de tráfego, existência de sinalização viária (horizontal e vertical), existência de ciclovias, ciclofaixas, vias compartilhadas, calçadas, acostamento e altimetria por trecho;
  • Segurança: risco de acidentes, mapeamento dos pontos de riscos (cruzamentos, vias compartilhadas);
  • Público alvo na região, perfil do cicloturismo no Paraná;
  • Rotas cicloturísticas existentes;
  • Impactos socioeconômico, socioambiental, sociocultural e sociopolítico;
  • Matriz CDP (condicionantes, potencialidades e deficiências) e/ou SWOT (FOFA) por município;
  • Mapa Final Validado (para estudo dos trechos municipais);
  • Conclusão: documento final composto por parecer e indicação de encaminhamentos.
Duarante a Expedição Rota Caiçara do Programa Ciclovida UFPR – Foto: Felipe Roehrig.

7 – Fase 2

Por fim, com previsão até 2025, a Fase 2 prevê a implementação do Passaporte da Rota Caiçara de Cicloturismo no Paraná, a consolidação do Consórcio Intermunicipal e capacitações dos atores que atuarão na gestão da Rota.

Por Tiago Piontekievicz © Lobi Ciclotur 

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