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TOUR DE FRANCE: A dor dos que só querem chegar à meta, um herói com honra.

    No ciclismo, as montanhas são pensadas para os corredores teoricamente mais baixos e leves, enquanto os sprints e os contrarrrelógios para os mais altos e pesados. Embora esta divisão de valências não seja levada à letra – e cada vez surgem mais exceções a esta lógica –, tem aplicação prática naquelas que são, muitas vezes, as grandes histórias do ciclismo.
Créditos AFP / por Daniel Cole
    A modalidade não se faz só de quem vence e de quem chega à meta da última etapa com menos tempo somado. Outros vencedores existem que o são apenas pelo esforço. Falamos das odisseias vividas pelos sprinters nas etapas de montanha. Geralmente pesados e fisicamente pouco preparados para a alta-montanha, estes homens vivem autênticas torturas para cumprirem estas etapas mais duras. Sabendo que os sprinters chegarão com muito atraso, a organização da corrida define, em função do tipo de etapa e do tempo do vencedor, um limite de atraso para que os ciclistas não sejam desqualificados da corrida.
    Alguns já foram desclassificados desta Volta a França por não conseguirem cumprir esse tempo máximo de atraso – como Arnaud Démare ou Bryan Coquard. Outros dariam o que tinham e o que não tinham para o cumprir – falamos de Mark Cavendish, de olho no recorde de Eddy Merckx. Por fim, houve um que não cumpriu o tempo, mas, mesmo sabendo disso, quis fazer a etapa 9 até ao final. Nic Dlamini, o primeiro sul-africano negro no Tour, chegou uma hora e meia depois do vencedor Ben O’Connor. Por vezes, os comissários fecham os olhos a pequenos atrasos, mas os 90 minutos de Dlamini eram demasiado longos para serem ignorados.
“Foi brutal. Chuva, frio e uma queda que ainda me dificultou mais uma etapa já difícil. Apesar de saber que estava fora do tempo de controlo, estava determinado a acabar a etapa e honrar a corrida mais prestigiada do mundo”, apontou, após a etapa.
    Dlamini explicou que durante a subida até viu alguns adversários entrarem nos carros das equipes, para regressarem aos hotéis, mas quis continuar até a linha de chegada.
“Podia ter subido para um dos carros, mas quis respeitar o meu esporte, honrar a minha equipe e honrar o meu sonho de tentar terminar o Tour. Não ter entrado no carro da equipe será, agora, uma das coisas das quais estarei sempre orgulhoso”.
    Entre o orgulho de ter chegado ao final e a alegria de incentivar mais crianças negras sul-africanas a entrarem no ciclismo, Dlamini foi o herói da etapa 9. Um grande exemplo de determinação a ser seguido.
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