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Jogos Olímpicos de Tóquio podem ter uma das melhores provas de ciclismo de estrada do ano

    O Tour de France acabou domingo passado, mas talvez acontecerá uma das melhores provas de estrada, neste sábado, nos Jogos Olímpicos de Tóquio. É uma oportunidade rara para a enorme maioria dos ciclistas, já que eles têm que se adaptar às características do percurso. A prova começa nesta sexta-feira, às 23h (horário de Brasília) e deve terminar pela manha do dia seguinte.
    O Ciclismo de estrada é uma modalidade que engloba o "Usain Bolt" (100m/200m) e o "Mo Farah" (10.000m) do ciclismo numa mesma categoria. Então, um sprinter ou um escalador tem que rezar por um percurso amigo, mesmo que sejam os melhores do mundo no que fazem.
    O percurso masculino de Tóquio é promissor. Tem a distância de uma prova clássica (232 km), ladeiras longas e curtas empinadas bem distribuídas pelo percurso que somam 4.300m de altimetria acumulada.
     A escalada do Fuji é uma legítima categoria 'hors concours’, 14,5km a 6%. Tirando os países “pequenos”, que deverão atacar logo na largada para mostrarem as cores de seus países, Fuji deverá ser onde os ataques importantes e o xadrez tático dos países favoritos começarão.
    Entre o Fuji e o decisivo Mikuni, 6,8km a 10,1%, serão quase 40km de terreno ondulado. Os que atacarem ambiciosamente no Fuji terão ainda quase 100km pela frente e só será perigoso se nele estiverem bons passistas. A lista de candidatos é grande e as equipes privilegiaram suas equipes com eles.
Perfil altimétrico da prova de ciclismo de estrada em Tókio 

    A temperatura estará altíssima, principalmente para os ciclistas acostumados às montanhas geladas. Nos treinos registrados no Strava dos profissionais já aparecem temperaturas variando entre 35c e 40c.
    A escalada do Mikuni levará aproximadamente 25m e é bem pesada. Dura o suficiente para eliminar os gregários e deixar apenas os favoritos. Isso depois de quase 5 horas de prova.
    Parece certo que muitas equipes não vão querer levar os eslovenos (Pogacar e Roglic) até o Mikuni de “carona” no pelotão e atacarão perto do topo do Fuji ou nos ondulados 40km que ligam as duas montanhas. Davide Cassani, técnico da Itália, disse que na realidade são 13 escaladas incluindo as três grandes.
    Com esses ataques de longe, tentarão fazer com que pelo menos um dos favoritos eslovenos arrisque suas chances queimando seus só dois gregários perseguindo uma fuga forte. Bélgica, Itália, Colômbia, Alemanha e Suíça podem arriscar um favorito numa fuga para que a Eslovênia divida seus favoritos.
    Depois de sua performance no Tour de France, Wout Van Aert é favorito, pois aguenta subir a bem empinada Mikuni perto dos escaladores mesmo com seus quase 80kg. Já provou que consegue escalar a 6w/kg. Não são os 6,3/6,5w/kg dos escaladores principais, mas o suficiente para que ele, como ótimo passista, consiga reconectar nos 34km até a chegada e se ele chegar com qualquer grupo dificilmente será batido no sprint.
    Bélgica deverá colocar o garoto Remco Evenepoel em qualquer fuga que saia antes do Mikuni. Mesma coisa para outros países favoritos como Itália (Betiol/Moscon), Alemanha (Buchmann), Grã Bretanha (Thomas/Tao G.), França (Gaudu) ou Suíça (Mader), Foss (Noruega) para que juntos forcem o pelotão a se esfacelar.
    Vale lembrar que em provas olímpicas é proibido a comunicação entre os carros de apoio e os ciclistas, complicando o xadrez tático, já que fica difícil saber quem está atacando e quanto tempo de vantagem a fuga tem. Isso aumenta o potencial de caos no pelotão quando vários países favoritos atacam de uma vez só.
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