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A história do ciclista que ficou tetraplégico e voltou a andar vira documentário

O mountain biker José Ilson Jr, o Ilsinho, treina para voltar a competir | Divulgação
Em abril deste ano, o ciclista José Ilson Jr. pegou a bike e foi dar uma volta perto de casa, na cidade de Cambuí, Minas Gerais. Nada demais não fosse por um único detalhe: foi a primeira vez que Ilsinho, como é conhecido, pedalou depois do diagnóstico de tetraplegia recebido após o acidente de bicicleta sofrido em julho de 2016. A história do mountain biker, que desafiou a medicina, vai virar um documentário, ainda em fase de produção.
- Estava como a minha família e disse que estava bem, que conseguiria. Peguei e saí pedalando. Fiz isso a minha vida inteira, para mim é como respirar. Me senti confiante e dei uma volta. Já andei algumas vezes na estrada de terra, no trânsito. Só não estou praticando por segurança - conta Ilsinho, de 27 anos, que tem 12 anos de carreira.
A crença do ciclista na total recuperação é tão forte, que ele já planeja a voltar às competições num futuro próximo. Ele precisa apenas ganhar força nos braços, pois perdeu 22kg de massa muscular depois do acidente.
- Estou evoluindo muito, estou andando sem bengala, pedalando novamente... Tenho uma rotina intensa de treinos, e estou caminhando para voltar a treinar e competir futuramente - diz ele, que tem dado palestras motivacionais para ajudar no financiamento do documentário.

As cenas de Ilsinho numa pista de terra batida ao lado de outros ciclistas vão ter de ficar para outro filme. O lançamento do longa documental está previsto para fevereiro. Nele, a vida do ciclista será dividida em três episódios: a carreira de atleta, o acidente e a recuperação e o retorno gradativo. O mineiro encara as duas últimas etapas como um ciclo olímpico.
- Minha meta é em quatro anos estar totalmente recuperado e competindo novamente. O esporte me ensinou a ter muita dedicação, disciplina e objetivo. Como atleta, eu treinava quatro anos para evoluir um minuto. Se levar isso para estar recuperado é só mais um ciclo olímpico. Quatro anos é pouco tempo, no nosso esporte trabalhamos 10 anos para o auge - afirma Ilsinho, que pretende retornar ao mountain bike. - Já tenho convites para algumas provas, como o Brasil Ride (prova de endurance), e quero voltar a fazer o calendário nacional e internacional.
O otimismo, acredita o mineiro, é uma das bases para a surpreendente recuperação. Em julho do ano passado, quando durante o treino bateu numa cerca de arame farpado e quebrou duas vértebras cervicais, ele sentiu, logo depois, que havia perdido os movimentos. Porém, nem mesmo naquele momento, pensou que seria irreversível.
- Nunca acreditei no diagnóstico. Vários fatores contribuíram: minha fé, meu condicionamento de atleta, de fazer ultramaratona, dos 12 anos de treinamentos integral e a vontade de sair da cama - enumera Ilsinho, que faz oito horas semanais de fisioterapia e academia, quatro horas de caminhada, sozinho, e duas horas de pedalada num rolo em casa.
Justamente o contrário do que os médicos que o receberam no hospital em Pouso Alegre, a 50 km da sua cidade natal, disseram na ocasião. À família, eles informaram que operariam Ilsinho apenas para corrigir a fratura do pescoço - o que foi feito após sete dias do acidente. Não havia chances de ele voltar a andar.
Ilsinho pratica yoga como parte do treinamento e recuperação
  - Foram 22 dois dias na UTI, mais 23 dias de CTI neurológico e comecei a ter movimento do pé esquerdo após 35 dias da lesão. Com três meses de recuperação, já estava em casa e começando a ficar em pé apoiado. Ainda tive que passar por outra cirurgia de 13 horas, pois a placa no meu pescoço não tinha calcificado, ele ainda estava praticamente quebrado. Em março, complementei a recuperação no Sara Kubitschek (referência em reabilitação de lesões de coluna e cerebrais). Lá me colocaram no andador, fiquei seis semanas, e saí apenas com uma bengala - relembra.
A bengala foi aposentada mês passado. Ilsinho já caminha sem qualquer ajuda, toma banho e se alimenta. Mas por muitos meses ele precisou de cuidados integrais. E a família foi fundamental no processo. A mulher Thaís Inara da Cunha, que trabalhava como autônoma de casa, passou a se dedicar à recuperação do marido. Com ajuda de parentes e amigos próximos, ainda precisava dar atenção à filha Maria Alice, então com menos de três anos. Hoje, ele divulga sua história pelo site joseilsonjr.com.br.
- Para ela foi muito difícil. Viu o pai saindo para treinar e, de repente, não volta. Só volta 45 dias depois, 1/3 mais magro e sem nenhum movimento. Mas ela também é muito guerreira, ficou do meu lado e me deu força pra me dedicar. Minha motivação maior - declara ele, acrescentando. - Nunca pensei em desistir. Nunca questionei por que tinha acontecido. Poucas vezes fiquei triste.
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Fonte: http://blogs.oglobo.globo.com/pulso/post/historia-do-ciclista-que-ficou-tetraplegico-e-voltar-andar-vira-documentario.html

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