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Novo teste suspeito de Contador reforça tese de doping

- -_Há cada vez mais indícios de que o teste positivo registado por Alberto Contador num dia de descanso da Volta à França se deveu a doping e não a contaminação alimentar. Nas amostras de outro controlo feito na véspera foi detectado um químico igual ao que é usado no fabrico das bolsas de plástico utilizadas em administrações intravenosas, reforçando a tese de que o vencedor do Tour terá recorrido a transfusões sanguíneas durante a prova.
- -_O teste que deu origem a este caso foi realizado no dia 21 de Julho, véspera de uma etapa decisiva, e as análises detectaram clembuterol. O facto de se tratar de um valor (0,05 nanogramas por mililitro de urina) abaixo daquilo a que um laboratório está obrigado a conseguir detectar (2 nanogramas) levou a União Ciclista Internacional (UCI) a abrir uma investigação científica, com o auxílio da Agência Mundial Antidopagem (AMA), antes de declarar o controlo em definitivo como um positivo e de abrir um processo disciplinar para punir e desclassificar o vencedor da Volta à França.
- -_Contador sempre negou ter recorrido à dopagem e insiste que se tratou de contaminação alimentar, com carne comprada em Espanha e que proveio de uma vaca que recebera injecções de clembuterol. Esta substância é usada ilegalmente a nível veterinário para intensificar o crescimento e a engorda dos animais. Também é utilizada pelos humanos pelos mesmos efeitos anabolizantes: aumento da massa muscular e acelerar a recuperação após esforços físicos.
- -_O ciclista espanhol sustenta-se num estudo e num parecer de Douwe de Boer, holandês perito em detecção de doping com anabolizantes. De Boer alega que é possível haver casos de ingestão de clembuterol através de suplementos nutricionais contaminados ou carne de animais que foram dopados. O holandês sustenta que os valores detectados a Contador são consistentes com contaminação alimentar e não dopagem intencional.
:: Doping com sangue que já tinha clembuterol
- -_Mas, logo após Contador ter feito a sua defesa pública, surgiram teorias alternativas. O primeiro a falar em transfusão sanguínea foi Rasmus Damsgaard, antigo membro da agência antidopagem dinamarquesa e ex-responsável pelo programa antidoping interno da equipa Saxo Bank: "Se a data é correcta, é mais provável que tenha recebido uma transfusão sanguínea com o seu próprio sangue, extraído numa altura em que usou clembuterol, que depois o seu corpo recebeu de novo."
- -_No dia seguinte, foi conhecido o primeiro indício que reforça a teste de Damsgaard. De acordo com o jornal L’Équipe e a televisão ARD, nas amostras que tinha mclembuterol foi encontrado o mesmo tipo específico de químico utilizado para tornar flexível o plástico usado em administrações intravenosas, incluindo transfusões sanguíneas, ambas proibidas pela AMA, a não ser em casos de urgência médica, mas que têm de ser devidamente justificados perante as autoridades antidopagem.
- -_De acordo com o New York Times de hoje, o mesmo tipo de químico foi detectado noutro teste realizado a Contador um dia antes daquele em que foi encontrado clembuterol. Segundo fonte conhecedora dos resultados das análises, que não se quis identificar devido ao acordo de confidencialidade entre a UCI e o ciclista, os cientistas encontraram níveis deste químico oito vezes maiores do valor mínimo em que passa a ser considerado doping.
- -_O teste para detectar expansores de plástico destas bolsas para sangue foi usado pela primeira vez na Volta à França deste ano, adianta o mesmo jornal. A técnica permite apanhar os atletas que tiram sangue durante períodos de treino, acompanhados de planos de dopagem, e que guardam esse sangue para ser reinjectado durante as principais competições.
- -_As transfusões com sangue de doadores já eram detectáveis. Apostou-se depois no passaporte biológico para apanhar os que se dopavam com o próprio sangue, monitorizando uma série de índices hematológicos que se alteram quando se usa substâncias proibidas. Mas, como se viu em três recentes casos no ciclismo – Oscar Sevilla, Ezequiel Mosquera, segundo classificado da Volta a Espanha, e David Garcia terão usado fluidificantes do sangue –, há já quem tente ludibriar o passaporte biológico.
:: Técnica já pode ser usada com outras provas
- -_O novo teste poderá ajudar a resolver o problema das transfusões com o sangue do próprio, mas o seu processo de validação não está terminado. Não pode ser usado como prova única num processo por dopagem, mas pode servir como mais uma evidência em processos com outros provas principais, como o de Contador.
- -_"Mesmo sem um teste validado, por ser usado em casos particulares. Se alguém tiver níveis muito elevados de explansores na urina, será muito difícil a um atleta explicar a razão, que não seja doping. Se os níveis forem mais baixos, será obviamente muito difícil provar, mas mesmo assim seria possível", afirmou Francesco Botré, director do laboratório antidopagem de Roma, ao New York Times.
- -_David Howman, director-geral da AMA, lembra que a técnica para detectar os químicos do plástico é usada há muitos anos na indústria alimentar e que a adaptação para o combate ao doping está “nas fases finais de validação”: “Mas actualmente as provas recolhidas durante umas análises já podem ser usadas com outras evidências num processo disciplinar.”
- -_O agente de Contador lembra que não houve qualquer confirmação oficial destas últimas notícias e insiste que o ciclista "não fez nada de ilegal", incluindo transfusões sanguíneas. A defesa do corredor insiste também que as regras da AMA deviam ser mudadas, criando um limite mínimo a partir do qual a detecção de clembuterol seria considerada doping, de modo a que não houvesse punições em casos de contaminação alimentar.
- -_Gary I. Wadler, líder do comité da AMA que actualiza anualmente a lista de substâncias e métodos proibidos, admite apenas "rever e discutir" limites para o clembuterol, pedido que não foi feito por nenhum parceiro da agência nos últimos anos, mas avisa que isso levará bastante tempo e que não terá influência no caso de Contador.
- -_Howman também se pronunciou sobre esta crítica de Contador, em declarações citadas pelo site Inside the Games: "Só porque é detectada uma quantidade pequena, isso não significa que não se trata de batota. É preciso lembrar que quando se toma um esteróide pode ficar semanas no corpo. (...) Que devemos fazer: apanhar os batoteiros ou estabelecer um limite que signifique que alguns conseguirão escapar?"

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