Van der Poel entra em modo MTB após o Tour: Les Gets, Val di Sole e Montréal são os próximos alvos
Mathieu van der Poel saiu do Tour de France 2026 com mais uma atuação marcante e já tem o próximo bloco da temporada desenhado: o neerlandês deve trocar a estrada pelo mountain bike em uma sequência curta, mas ambiciosa, que passa pela Copa do Mundo de Les Gets, pelo Campeonato Mundial de XCO em Val di Sole e, depois, pelo retorno à estrada para a preparação do Mundial de Montréal. No encerramento do Tour, Van der Poel venceu a etapa final em Paris, numa chegada reduzida e explosiva, enquanto Tadej Pogačar confirmou o quinto título da Volta a França.
O calendário oficial da UCI ajuda a entender esse roteiro. A WHOOP UCI Mountain Bike World Series de 2026 coloca Les Gets, em Haute-Savoie, entre 20 e 23 de agosto, como uma das últimas grandes etapas de XCO, XCC e DHI antes do Mundial. Em seguida, o Campeonato Mundial de Mountain Bike será disputado em Val di Sole, na Itália, de 26 a 30 de agosto. Já o Mundial de estrada de Montréal está marcado para 20 a 27 de setembro de 2026.
Na prática, isso significa que Van der Poel terá poucos dias para virar a chave entre as disciplinas. O foco imediato será a bicicleta de montanha, com Les Gets funcionando como teste de ritmo e Val di Sole como principal objetivo técnico da sequência. O cenário é coerente com a forma como a UCI montou o calendário, empurrando o bloco decisivo do MTB para o fim de agosto e deixando a estrada para a reta final de setembro.
A relação de Van der Poel com o mountain bike é antiga e continua incompleta no ponto mais alto. O Cyclingnews lembra que o neerlandês ainda persegue o primeiro título mundial no XCO; até aqui, seu melhor resultado na elite foi o bronze de 2018. A mesma cobertura também destaca que ele já é campeão mundial no ciclocross, no gravel e na estrada, o que amplia ainda mais a importância do objetivo em Val di Sole.
Les Gets não é um cenário novo para ele. Em 2025, Cyclingnews relatou que o neerlandês usou a etapa francesa da World Series como preparação para o Mundial de MTB, terminou em sexto lugar e admitiu que ainda precisava de ritmo e treino específico para voltar a brigar pelo pódio. Naquele retorno, o veículo também registrou que ele saiu da prova de Nové Město com queda e fratura no punho, um exemplo de como a transição entre estrada e MTB segue sendo delicada na temporada dele.
A nova janela em 2026 traz exatamente esse tipo de desafio: pouca margem para adaptação, alto nível de exigência técnica e um Mundial marcado por percurso e concorrência de elite. Em artigo recente, o Cyclingnews observou que Van der Poel continua tentando equilibrar estrada e mountain bike, mas que o encaixe nunca é ideal; ainda assim, a proximidade entre Les Gets e Val di Sole oferece uma oportunidade concreta de chegar ao Mundial com mais rodagem específica.
Do ponto de vista esportivo, a sequência também faz sentido para a construção da temporada. Van der Poel encerra o Tour com a moral elevada após vencer em Paris, passa imediatamente ao MTB para perseguir o único arco-íris que ainda lhe falta na modalidade olímpica e, depois, retorna à estrada com o calendário de setembro em mente, em Montréal. É um roteiro curto, mas absolutamente fiel ao perfil de um corredor que alterna disciplinas sem perder a ambição de disputar títulos máximos em todas elas.
Em resumo, o próximo mês de Van der Poel deve ser decisivo: Les Gets como teste competitivo, Val di Sole como grande alvo do MTB e Montréal como a ponte de volta para a estrada. Se a programação se confirmar como aponta o calendário oficial da UCI, o neerlandês terá uma das transições mais agressivas e interessantes do ciclismo mundial em 2026.
Fontes consultadas/utilizadas: Reuters; Cyclingnews; UCI.

