🎧 Ouça esta notícia Calculando...

A história de Richard Carapaz ganhou mais um capítulo emocionante no Tour de France 2026. O equatoriano, campeão olímpico e vencedor do Giro d’Italia, foi eleito o Ciclista Mais Combativo da 113ª edição da Volta a França, depois de uma terceira semana espetacular, marcada por duas vitórias de etapa e uma atuação de enorme coragem nas montanhas.

A escolha foi feita pelo público e pelo júri da prova, que reconheceram a postura agressiva do atleta da EF Education-EasyPost durante a fase decisiva do Tour. Aos 33 anos, Carapaz voltou a ser premiado com o título de “Super Combativo”, repetindo o feito de 2024.

Duas vitórias emocionantes na terceira semana

Carapaz construiu sua candidatura ao prêmio principalmente com duas vitórias memoráveis.

Na 18ª etapa, entre Voiron e Orcières-Merlette, o equatoriano atacou a partir da fuga e conquistou uma vitória solo no alto da montanha. O triunfo representou sua segunda vitória de etapa no Tour de France e encerrou um período de mais de um ano sem vencer. Carapaz atacou repetidamente no último trecho da subida e abriu vantagem decisiva a aproximadamente 3,5 quilômetros da chegada.

A segunda vitória veio na 20ª etapa, a tradicional etapa rainha da edição de 2026, com chegada no Alpe d’Huez. Em uma jornada dramática, Carapaz voltou a integrar a fuga e resistiu até a chegada para conquistar mais uma vitória de enorme significado. O resultado também consolidou sua liderança na classificação de montanha e colocou o equatoriano entre os grandes protagonistas da reta final do Tour.

O desempenho foi ainda mais impressionante porque Carapaz não se limitou a defender posições. O equatoriano atacou, buscou fugas, disputou pontos de montanha e assumiu riscos em momentos decisivos — exatamente o comportamento que tradicionalmente define o prêmio de mais combativo da competição.

A história da bicicleta encontrada na sucata

A trajetória de Carapaz torna a conquista ainda mais simbólica. O ciclista nasceu em El Carmelo, na província de Carchi, no Equador, em uma região rural onde cresceu trabalhando no campo.

Sua primeira bicicleta não foi comprada em uma loja especializada. Segundo a biografia oficial do atleta, seu pai, Antonio Carapaz, trouxe para casa uma grande carga de sucata. Enquanto examinava o material com suas irmãs, Richard encontrou peças que poderiam ser utilizadas para montar uma bicicleta.

A bicicleta improvisada, construída a partir de componentes encontrados entre metais e materiais descartados, tornou-se o ponto de partida de uma trajetória que o levaria ao topo do ciclismo mundial.

A imagem é poderosa: o menino que encontrou uma bicicleta em meio à sucata acabaria, anos depois, vencendo as maiores provas do ciclismo mundial e tornando-se o primeiro campeão olímpico da história do Equador no ciclismo.

Do Carchi ao Olimpo

O momento mais importante da carreira de Carapaz aconteceu nos Jogos Olímpicos de Tóquio, realizados em 2021. O equatoriano venceu a prova de estrada masculina e conquistou a primeira medalha de ouro olímpica do Equador no ciclismo.

Carapaz atacou a 26 quilômetros da chegada, inicialmente ao lado do norte-americano Brandon McNulty, e depois seguiu sozinho rumo à vitória. Wout van Aert e Tadej Pogačar completaram o pódio.

O título olímpico transformou definitivamente o ciclista de Carchi em uma das maiores figuras esportivas da história do Equador.

O primeiro equatoriano a vencer o Giro d’Italia

Antes mesmo do ouro olímpico, Carapaz já havia feito história ao vencer o Giro d’Italia de 2019. Ele se tornou o primeiro equatoriano a conquistar uma das três grandes voltas do ciclismo mundial.

A vitória marcou a ascensão definitiva do atleta no cenário internacional e confirmou que aquele ciclista vindo de uma região rural do Equador tinha capacidade para competir e vencer contra os maiores nomes do pelotão mundial.

Um Tour construído na base do ataque

No Tour de France 2026, Carapaz demonstrou novamente uma das características mais marcantes de sua carreira: a capacidade de transformar uma situação aparentemente desfavorável em oportunidade.

Durante a prova, o equatoriano buscou ataques de longe e se aproveitou de sua condição de não representar uma ameaça direta à liderança geral para entrar em fugas perigosas. Na 10ª etapa, por exemplo, ele recebeu o prêmio de combatividade do dia após atacar no Puy Mary e tentar lutar pela vitória da etapa, sendo posteriormente alcançado por Tadej Pogačar na subida do Col de Pertus.

A estratégia voltou a aparecer nas montanhas da terceira semana. Carapaz encontrou seu melhor momento justamente quando o Tour chegava à sua fase mais dura, com sucessivos ataques, vitórias e disputas pela classificação de montanha.

O maillot à pois e o oitavo lugar geral

Além das duas vitórias de etapa e do prêmio de mais combativo, Carapaz também terminou o Tour com o maillot à pois, símbolo da classificação de melhor escalador.

A combinação de resultados transformou sua terceira semana em uma das grandes histórias da edição de 2026. O equatoriano, que chegou a ocupar posições mais distantes na classificação geral, avançou para o top 10 e terminou a competição na oitava colocação geral, segundo a informação divulgada antes da chegada final a Paris.

A campanha também foi reconhecida por torcedores e observadores do ciclismo, que destacaram sua persistência e o estilo agressivo de corrida. Em discussões entre fãs, Carapaz foi frequentemente apontado como um dos grandes protagonistas da parte final do Tour, especialmente pela sequência de ataques e pela luta nas montanhas.

Uma história que combina com o espírito do Tour

A trajetória de Richard Carapaz resume alguns dos elementos mais emocionantes do ciclismo: origem humilde, superação, talento, sacrifício e coragem para atacar.

Da bicicleta montada com peças encontradas em uma carga de sucata até o ouro olímpico, a vitória no Giro d’Italia, os triunfos no Tour de France e o reconhecimento como o ciclista mais combativo da edição de 2026, a carreira do equatoriano parece construída sobre uma mesma ideia: nunca deixar de tentar.

No Tour de France 2026, Carapaz voltou a mostrar exatamente isso. Mesmo sem disputar a vitória geral contra Tadej Pogačar, o equatoriano encontrou seu próprio caminho para marcar a história da prova: atacou, venceu duas etapas, conquistou a montanha e foi escolhido pelo público e pelo júri como o Super Combativo do Tour.

A história do menino que encontrou uma bicicleta entre a sucata agora tem mais um capítulo de ouro — desta vez, escrito nas montanhas da França.

Fontes: Tour de France, L’Équipe, Cyclingnews, Cycling Weekly, EF Education-EasyPost, Richard Carapaz – Biografía Oficial, Olympedia, Reddit / r/peloton e r/tourdefrance