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O pelotão do Giro d'Italia recebeu uma advertência oficial, no mínimo, inusitada após a nona etapa da competição. A organização e o colégio de comissários da prova precisaram intervir e lembrar aos atletas que é terminantemente proibido urinar dentro dos bidões (caramanholas) e, em seguida, descartá-los na estrada em direção ao público.

A prática, que acendeu um alerta sanitário e disciplinar, surgiu como uma manobra dos ciclistas para contornar as rígidas regras da União Ciclística Internacional (UCI).

A Origem da Polêmica: Regras da UCI e as Zonas Verdes

Nos últimos anos, a UCI apertou o cerco contra o descarte irregular de lixo durante as provas. Atualmente, os atletas só têm permissão para descartar garrafas e embalagens nas chamadas Zonas Verdes (Green Zones). Jogar material fora dessas áreas designadas resulta em multas pesadas e pode levar à desclassificação.

Além disso, o regulamento de conduta proíbe estritamente que os competidores parem na beira da estrada (a "cuneta") para urinar à vista das câmeras de transmissão e dos torcedores.

Para não perder contato com o pelotão parando na estrada e para evitar punições por micção em público, alguns corredores adotaram a tática questionável de urinar dentro de seus próprios bidões vazios enquanto pedalam.

A advertência não veio sozinha. Vários ciclistas foram penalizados durante a 9ª etapa. Christopher Juul-Jensen, da equipe Jayco AlUla, recebeu uma multa de 500 francos suíços e perdeu 25 pontos no ranking da UCI por jogar lixo fora das áreas designadas. Lennert Van Eetvelt foi multado em 200 francos suíços por "urinar em público durante a prova e prejudicar a imagem do esporte". David De la Cruz também recebeu uma multa de 500 francos suíços por "comportamento inadequado".

A UCI quer impedir que os fãs recolham recipientes com urina.

Segundo os organizadores do Giro d'Italia, alguns ciclistas usam garrafas de água vazias como recipientes improvisados, esvaziando-as em seguida e jogando-as na estrada como qualquer outra garrafa usada. O risco surge porque muitos fãs colecionam essas garrafas pensando que são apenas lembranças da corrida.

O comunicado oficial foi particularmente claro. "Para respeitar a imagem do ciclismo e do Giro d'Italia, a organização e os oficiais da prova informam a todos os ciclistas que é estritamente proibido urinar em uma garrafa de água e depois descartá-la ", dizia o texto.

O Perigo Sanitário e a Tradição dos Souvenirs

O grande problema apontado pelo colégio de comissários não é apenas a manobra em si, mas o descarte posterior desse material. É uma tradição histórica no ciclismo de estrada que os fãs, especialmente crianças, fiquem à beira da pista para recolher as caramanholas descartadas como souvenirs da corrida.

Atirar um bidão contendo urina em direção a esses torcedores transforma uma lembrança esportiva em um risco sanitário grave, além de ser um comportamento anti-higiênico e um profundo desrespeito com o público que apoia o esporte.

Punições para os Infratores

A organização deixou claro que não haverá tolerância para essa atitude nas próximas etapas. Os ciclistas flagrados praticando o ato estão sujeitos a:

  • Multas pesadas em francos suíços (CHF).

  • Perda de pontos nas classificações das camisas, como a de pontos ou de montanha.

  • Desclassificação e expulsão da prova por comportamento antidesportivo e indecoroso (Artigo 2.12.007 da UCI).

O ciclismo profissional exige sacrifícios extremos, mas a organização reforça que o respeito à imagem do esporte, à saúde pública e aos fãs deve prevalecer sobre qualquer tática de economia de tempo no pelotão.

Fontes: União Ciclística Internacional (UCI); Colégio de Comissários do Giro d'Italia.