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A estreia da Ásia no calendário da Copa do Mundo de Mountain Bike XCO 2026 deveria ser um marco histórico para o esporte. No entanto, a etapa de Mona YongPyong, na Coreia do Sul, terminou sob uma enxurrada de críticas. A voz mais contundente foi a da australiana Rebecca "Bec" Henderson, que, com o regulamento da UCI em mãos, classificou o evento como um "insulto" aos atletas e à modalidade.

O que se viu nas pistas sul-coreanas foi um cenário de caos: chuvas torrenciais transformaram o circuito em um lamaçal intransitável, forçando os melhores ciclistas do mundo a carregar suas bicicletas por quilômetros.

O Regulamento debaixo do braço: A crítica de Henderson

Diferente de quem aceita as condições adversas como "parte do Mountain Bike", Bec Henderson, da equipe Primaflor-Mondraker, foi às redes sociais para protestar de forma técnica. Sua principal queixa baseia-se nas normas da União Ciclística Internacional (UCI).

"O regulamento é claro: um percurso de XCO deve ser 100% pedalável, independentemente das condições climáticas. O que enfrentamos aqui não foi Mountain Bike, foi uma prova de atletismo com uma bicicleta pesada no ombro", afirmou a ciclista.

Henderson argumentou que a organização falhou ao não preparar o terreno com drenagem adequada ou cascalho em pontos críticos, transformando a disputa em uma loteria mecânica e física que desrespeita o investimento e a preparação das equipes de elite.

Lama, Prejuízo e Segurança

O estado da pista em Mona YongPyong não apenas nivelou o desempenho técnico por baixo, mas também causou prejuízos financeiros e riscos à integridade física:

  • Danos Mecânicos: Diversas transmissões, pastilhas de freio e componentes de alto custo foram destruídos em poucos minutos de prova devido à lama abrasiva.

  • Risco de Lesões: A inclinação das subidas, somada à lama escorregadia, causou quedas mesmo para quem estava empurrando a bike.

  • Logística: Atletas questionaram a viabilidade de viajar para o outro lado do mundo para participar de um evento que não ofereceu condições mínimas de competitividade técnica.

O Futuro das Provas na Ásia

A repercussão negativa liderada por Henderson e apoiada por outros grandes nomes do pelotão, como Nino Schurter e Loana Lecomte, coloca em xeque os critérios de seleção da UCI para novas sedes. Embora a expansão global seja necessária para o crescimento do esporte, o "Fiasco da Coreia" deixa uma lição clara: a infraestrutura deve acompanhar o prestígio do evento.

A UCI ainda não se manifestou oficialmente sobre mudanças nas diretrizes para circuitos de lama, mas o debate sobre a padronização e a "ciclabilidade" dos percursos nunca esteve tão aquecido.

Fontes: Brujula Bike, Pinkbike, MTB Pro Magazine, UCI Official Race Regulations, Red Bull TV