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Projeto comunitário inspirado em experiência de sucesso em Ruanda terá centros no Rio e em São Paulo e quer revelar talentos entre adolescentes de 13 a 17 anos

O ciclismo brasileiro acaba de ganhar um dos mais ambiciosos projetos de base já concebidos no país. A NSN Cycling Team, equipe do WorldTour (a elite do ciclismo mundial), oficializou o lançamento do Racing for Change Brasil, iniciativa que pretende construir dois centros de treinamento e acolhimento — chamados de “Campo dos Sonhos” — nas cidades de Petrópolis (RJ) e Cabreúva (SP). O objetivo declarado é descobrir e desenvolver novos talentos brasileiros para o esporte, mirando um futuro com mais ciclistas profissionais nascidos em solo nacional.


Um modelo que já mudou vidas em Ruanda

O Racing for Change não chega ao Brasil como uma promessa vazia. O conceito nasceu em 2022 no continente africano, quando a então Israel‑Premier Tech (antecessora da atual NSN) ergueu o Field of Dreams Bike Center em Bugesera, Ruanda. O espaço conta com pista de pump track, circuitos de estrada, salas de aula, vestiários e depósito de equipamentos. Desde a inauguração, mais de 120 mil jovens ruandeses já foram beneficiados — e o tetracampeão do Tour de France, Chris Froome, atua como embaixador global do projeto.

O sucesso africano motivou a chegada da iniciativa ao Brasil, agora com as adaptações necessárias à realidade local. “Nosso projeto em Ruanda já mudou vidas e comprovou o poder do ciclismo para inspirar jovens. Tenho orgulho de trazer essa mesma visão para o Brasil”, declarou Kjell Carlström, general manager da NSN Cycling Team.


Como vai funcionar o Racing for Change Brasil

Cada um dos dois centros comunitários de ciclismo oferecerá estrutura completa para jovens em situação de vulnerabilidade social:

  • Infraestrutura esportiva: pistas de pump track e circuitos de estrada;

  • Formação profissional: oficinas de mecânica de bicicletas e espaços de convivência;

  • Acompanhamento nutricional: alimentação balanceada;

  • Educação complementar: aulas de inglês, reforço escolar e educação financeira, esta última conduzida pela Brainvest Wealth Management;

  • Suporte médico e fisioterápico;

  • Rede de equipamentos: sistema de doação e troca de bicicletas, capacetes e acessórios, promovendo economia circular.

O foco inicial serão 100 adolescentes com idade entre 13 e 17 anos. Petrópolis e Cabreúva foram escolhidas por sua tradição no ciclismo de estrada e mountain bike.

Embaixadores de peso e parceria estratégica

Para dar rosto e voz à iniciativa, dois dos maiores nomes do ciclismo brasileiro foram convocados: Henrique Avancini, multicampeão brasileiro e referência no mountain bike mundial, e Murilo Fischer, o primeiro brasileiro a completar as três Grandes Voltas (Giro d’Italia, Tour de France e Vuelta a España). Ambos atuam como embaixadores do Racing for Change Brasil.

O projeto conta ainda com a Innova AATB como parceira de comunicação e marketing, e com a Brainvest Wealth Management na retaguarda estratégica. “O Brasil sempre teve um talento bruto extraordinário no esporte. O que muitas vezes faltou foi um caminho claro. Com o Racing for Change Brazil, estamos comprometidos em ajudar a construir essa ponte — do potencial ao desempenho e do sonho à realidade profissional”, ressaltou Dany Roizman, fundador da Brainvest e força motriz local do projeto.


Meta financeira e governança

A expectativa é captar R$ 2,3 milhões já no primeiro ano de operação. A estrutura de governança prevê conselho fiscal próprio e auditoria independente. Os organizadores também articulam a adesão à Lei de Incentivo ao Esporte, o que permitiria a empresas e pessoas físicas destinarem parte de impostos ao programa.


Visão de futuro: o Brasil no mapa do ciclismo mundial

Com a chancela de uma equipe WorldTour, o Racing for Change Brasil representa um passo concreto para reduzir a lacuna entre o talento natural de jovens brasileiros e a falta de estrutura que historicamente limita o surgimento de ciclistas de elite no país. A NSN Cycling Team, que hoje compete com licença suíça e tem como principal estrela o eritreu Biniam Girmay (vencedor da camisa verde no Tour de France), enxerga o Brasil como um celeiro estratégico de novos atletas.

O ciclista espanhol Pau Martí, que defende a equipe, resumiu o sentimento que ronda a iniciativa: “Não tenho dúvidas de que, em breve, veremos alguns desses jovens talentosos ciclistas brasileiros se tornarem profissionais.”


Fontes: Giro do Ciclismo, CyclismActu, NSN Cycling Team (site oficial), Máquina do Esporte, ABCD Comunicação, Live MKT News, Racing for Change Brasil (site oficial).