A ciclista norte-americana Veronica Ewers, de 31 anos, chocou o mundo do ciclismo ao anunciar que fará uma pausa em sua carreira profissional a partir de 2026 para tratar sérios problemas de saúde decorrentes da síndrome RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport) — uma condição causada pelo déficit crônico de energia em atletas.

Ewers, uma das principais escaladoras do pelotão mundial e 9ª colocada no Tour de France Femmes 2022, além de 4ª no Giro d’Italia Donne 2023, revelou em suas redes sociais que seu contrato com a EF Education–Oatly será interrompido para que ela possa buscar uma recuperação completa.


“Não menstruo desde 2014”: o alerta ignorado por 10 anos

Em um relato forte e direto, Ewers expôs a gravidade de sua situação ao longo da última década:

“Eu não tenho menstruação desde 2014. Meus ossos são fracos. Minha função gastrointestinal é péssima.”

Após realizar uma série de exames recentes, a ciclista descobriu que seus níveis hormonais estavam “praticamente inexistentes”, evidenciando o impacto do déficit energético prolongado — quadro típico de RED-S, que compromete funções hormonais, ósseas, metabólicas e cognitivas.

A atleta relatou que a pressão para manter a performance transformou sua rotina em uma “competição contínua”, inclusive fora das pistas:

“A competição não acabou com as corridas. Ela continuou na cozinha e à mesa.”


Decisão pela pausa: um ato de sobrevivência

Veronica Ewers afirmou que interromper a carreira é uma necessidade vital:

“Meu corpo precisa de uma redefinição completa para voltar ao seu melhor. Estou cansada de ser medíocre.”

A equipe EF Education–Oatly apoiou integralmente sua decisão, reforçando que a saúde da atleta é prioridade absoluta. Embora não haja previsão exata de retorno, Ewers manifestou esperança:

“Quero voltar um dia, mas em um corpo funcional.”


Atenção à saúde feminina no esporte: um debate urgente

O caso de Ewers reacende uma discussão crescente no ciclismo profissional: a falta de acompanhamento adequado da saúde feminina, especialmente no que diz respeito a distúrbios hormonais, nutrição e carga de treinamento.

A síndrome RED-S, embora comum em esportes de resistência, ainda é subdiagnosticada e frequentemente ignorada por atletas e equipes. A ausência de menstruação — um dos principais sinais — é muitas vezes tratada como algo “normal” no alto rendimento, quando na verdade pode indicar um desequilíbrio severo.

O depoimento de Ewers funciona como um alerta para a necessidade de prevenção, educação nutricional e suporte psicológico dentro do esporte de elite.

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Fonte: ladepeche.fr