A revelação de que os Emirados Árabes Unidos estão construindo montanhas artificiais para alterar o percurso do Campeonato Mundial de Ciclismo de 2028 provocou forte reação no pelotão e reacendeu o debate sobre os limites da intervenção humana no esporte.

A notícia, inicialmente divulgada pelo jornal espanhol Marca, foi confirmada pelo campeão europeu Tim Merlier. Já o diretor da Groupama-FDJ, Marc Madiot, classificou o projeto como “absurdo” e “um risco para o futuro do ciclismo”.


Tim Merlier confirma montanhas artificiais para o Mundial de Ciclismo de 2028

O belga Tim Merlier afirmou que os Emirados realmente estão construindo elevações artificiais para deixar o percurso do Mundial de Abu Dhabi mais desafiador — algo que ele nota desde 2023.

“A cada ano, vejo a montanha ficar mais e mais alta”, relatou Merlier.

Segundo o Marca, a tradicional subida de Al Wathba está passando por mudanças expressivas:

  • 2023: 1,4 km a 6%

  • 2026: deve atingir 2 km

  • 2028: planos internos indicam 3,8 km a 6,5%

Além disso, na ilha de Hudayriyat, sugerida como possível sede do Mundial, novas subidas artificiais — algumas com 10% de inclinação média — foram instaladas recentemente.
A configuração aumentaria o peso dos escaladores e, segundo especialistas, pode beneficiar diretamente nomes como Tadej Pogacar, ícone da equipe UAE Team Emirates.


Marc Madiot dispara: “Será desastroso para o ciclismo”

O diretor da Groupama-FDJ, Marc Madiot, criticou duramente o projeto durante o programa Les Grandes Gueules du Sport, da TV francesa RMC.

“Não sou um fanático ambientalista, mas existem limites claros. Se chegarmos a esse ponto, será desastroso para o nosso esporte.”

Para ele, não há problema em realizar o Mundial nos Emirados, mas manipular artificialmente o percurso ultrapassa qualquer lógica esportiva.


UCI é cobrada a intervir e impor limites ao percurso do Mundial

Madiot foi direto ao dizer que a UCI precisa intervir imediatamente:

“A UCI e seu presidente precisam retomar o controle desse tipo de situação.”

O dirigente destacou que a entidade possui diretrizes claras para conceder o Mundial e que não faz sentido permitir obstáculos artificiais projetados para influenciar a corrida ou favorecer determinados ciclistas.

“Não consigo imaginar a UCI aceitando que uma dificuldade artificial seja criada apenas para deixar a prova mais dura ou dar vantagem a um atleta específico.”


Assista à declaração de Marc Madiot

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Fonte: girodociclismo