Treinar no rolo ou pedalar na estrada? Essa é uma das dúvidas mais comuns entre ciclistas amadores e atletas de performance, especialmente em épocas de clima instável ou rotina apertada. Com mais de 20 anos de experiência no ciclismo, o treinador e bikefitter Telmo Alegre, da Happy Life Training, explica que não existe uma resposta única — tudo depende do objetivo e do momento de cada ciclista.
Segundo o especialista, o segredo está em entender as vantagens de cada tipo de treino e saber como combiná-los de forma inteligente.
Não existe um melhor absoluto: rolo e estrada se complementam
Para Telmo Alegre, comparar treino no rolo e treino na estrada como se um fosse superior ao outro é um erro comum.
“Não há um melhor absoluto. Tanto o treino no rolo quanto o treino de estrada têm vantagens. O importante é entender o que você busca e em que fase de preparação está”, destaca.
Cada método cumpre um papel específico dentro do planejamento de treinamento, e saber utilizá-los corretamente pode fazer toda a diferença na evolução do ciclista.
Treino no rolo: máxima eficiência e controle total
A principal vantagem do treino no rolo é a eficiência. Trata-se de um ambiente totalmente controlado, onde o ciclista consegue manter potência, frequência cardíaca e cadência sem interferências externas.
Sem trânsito, sem semáforos e sem interrupções, cada minuto conta. Isso transforma sessões curtas em treinos altamente produtivos.
Para quem tem pouco tempo disponível, o rolo se torna quase indispensável. Um treino bem estruturado de 30 a 50 minutos pode gerar mais benefícios do que uma hora pedalando sem objetivos claros.
No entanto, Telmo faz um alerta importante:
“O problema é quando alguém entra no rolo apenas para ‘passar o tempo’. Sem especificidade e metas claras, o rolo deixa de ser uma ferramenta eficiente.”
Zonas de treino no rolo são diferentes da estrada
Um erro comum entre ciclistas é tentar reproduzir no rolo as mesmas zonas de potência utilizadas na estrada. Segundo Telmo Alegre, isso pode gerar frustração e desgaste excessivo.
No rolo, o esforço é mais constante e intenso, já que não há variações de terreno nem micro-recuperações naturais. Manter uma potência elevada por vários minutos torna-se um esforço “cru”.
Por isso, a recomendação é reduzir de 5% a 10% da potência alvo, ou cerca de 20 a 25 watts em relação ao FTP, garantindo que as séries sejam concluídas com qualidade e sem queda de motivação.
Treinar na estrada: capacidade aeróbia e realidade do ciclismo
Se o rolo é sinônimo de eficiência, a estrada é onde o ciclista constrói base aeróbia e experiência real. Nada substitui as horas acumuladas ao ar livre, fundamentais para o desenvolvimento físico e técnico.
É na estrada que o ciclista aprende a lidar com:
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Vento contra e a favor
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Variações de ritmo
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Irregularidades do asfalto
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Gestão de esforço em situações imprevisíveis
Por outro lado, essa imprevisibilidade dificulta o controle preciso do treino intervalado.
“A estrada nunca oferece o controle total que o rolo proporciona. Mas entrega algo que o rolo jamais dará: adaptação ao mundo real do ciclismo”, ressalta Telmo.
Afinal, o que escolher: rolo ou estrada?
A resposta está no equilíbrio. Não se trata de escolher um lado, mas de entender que rolo e estrada se complementam dentro de um planejamento bem estruturado.
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O rolo garante consistência, precisão e aproveitamento máximo do tempo
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A estrada desenvolve resistência aeróbia, vivência prática e adaptação às condições reais
A combinação dos dois métodos, com ajustes adequados de intensidade no rolo e boas horas de treino ao ar livre, resulta em um treino mais completo e eficiente.
“O rolo oferece treino controlado e eficiente. A estrada entrega volume, capacidade aeróbia e a realidade do ciclismo. O ideal é combinar ambos”, conclui Telmo Alegre.
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Fonte: https://www.goride.pt/

