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Sense Enduro Cup 2019 #3 - Bernardo Cruz e Dani Daher são os primeiros campeões brasileiros Enduro

No começo do ano, o Sense Enduro Cup foi apresentado com uma grande novidade para os atletas profissionais de Enduro no Brasil. Graças à uma parceria com a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), a série passou a receber a chancela da entidade máxima do ciclismo nacional, o que permitiu a criação do primeiro Campeonato Brasileiro oficial da modalidade - com direito a camisa de campeão e tudo mais.
Foto: Cesar Delong
Para tornar as coisas ainda mais interessantes, a organização propôs um formato diferente para as três etapas da série, com uma grande arena e estrutura completa de apoio para atletas, acompanhantes e público, além de aproximar fãs e ídolos, com um pátio fechado para os pilotos e um prólogo acontecendo sempre ao lado da estrutura de apoio.
Disputa feminina foi intensa. Foto:Cesar Delong
Neste cenário de total integração, Bernardo Cruz e Danielle Daher tornaram-se os primeiros campeões brasileiros da modalidade, com a decisão acontecendo apenas na terceira etapa, realizada em Urubici, Santa Catarina, nos dias 16 e 17 de Novembro. Lá, os atletas encararam sete especiais cronometradas, contando com o prólogo, que aconteceu no sábado, depois do reconhecimento de percurso.
“Urubici é uma cidade maravilhosa, que acolheu a todos de forma fantástica! É um paraíso em território brasileiro, com pistas muito rápidas, saltos, curvas e muito flow”, explicou Christian Wagner, responsável pela Projeto Trilhas e diretor técnico da prova.
Dani Daher é a campeã brasileira. Foto: Cesar Delong
Antes da final, o Sense Enduro Cup já havia passado por Nova Lima, Minas Gerais, nos dias 6 e 7 de Abril e por Petrópolis, Rio de Janeiro, em 13 e 14 de Julho. Em Minas, as pedras e o minério, típico da região, foram o ponto alto, com as grandes inclinações nas subidas e descidas sendo a marca registrada das especiais na região serrana do Rio.

Entre as mulheres, ambos os estágios tiveram Danielle Daher como vencedora, com a atleta somando 600 pontos. Nara Faria, a segunda colocada na geral, acumulava um total de 500 pontos. Já entre os homens, a liderança estava com Bernardo Cruz, atleta que levou a etapa de Petrópolis e ficou em terceiro em Nova Lima, somando assim 520 pontos. O segundo posto pertencia à Julio Giani, com 430 pontos.
Bernardo é o campeão brasileiro Foto: Cesar Delong
A disputa seguiu bastante intensa na etapa final, mas no fim, o mais rápido do dia e também do ano, foi Bernardo Cruz, que fechou todas as especiais com o tempo de 00:18:04.550. O segundo posto ficou com André Bretas, com Julio Giani fechando o Top 3. Na elite feminino, Danielle Daher, a vencedora de todas as etapas até então, chegou apenas em quinto lugar, gerando um grande suspense na contagem dos pontos. No fim, a atleta acabou subindo no lugar mais alto do pódio, com a vitória da etapa ficando para Luana Oliveira.
“Não tenho nem o que dizer, apenas agradecer a Sense por esse grande evento. Tudo com muita qualidade, o lugar para as famílias, o lugar para os pilotos, trilhas muito bem feitas. Foi mais do que uma competição, foi um grande evento”, afirmou Bernardo.

“Estamos no caminho certo. A Sense abraçou uma causa nobre, já que nosso esporte estava bem caído. Eles fizeram um marco no esporte e, tenho certeza, que as coisas vão melhorar ainda mais com os anos”, complementou.
Sense Enduro Cup 2020

Além de ser o primeiro campeonato brasileiro oficial de Enduro, o Sense Enduro Cup tem o objetivo de estimular o fun-ride, os pedais puramente por diversão, que são sucesso mundo afora. Por isso, a ideia da Sense com a série foi aproximar pilotos profissionais, atletas amadores, público e famílias, sempre com a Arena servindo de ponto de encontro e de apoio para isso. Porém, para o ano que vem, o fabricante nacional promete levar este conceito ainda mais adiante.
Foto: Cesar Delong
Segundo Henrique Ribeiro, CEO da Sense Bike, o momento agora é seguir o desenvolvimento natural do Enduro, do All-Mountain e do E-MTB, atraindo mais adeptos dos pedais for-fun, principalmente no quesito “integração com a família”.
“Além da ênfase que vamos dar ao E-MTB, categoria que está crescendo muito rápido e precisa de um novo formato, queremos integrar muito a linha de produtos Grom, bicicletas para jovens descolados, que querem curtir uma mountain bike de verdade, no ambiente do Enduro”, finalizou Henrique Ribeiro.
Ainda falando sobre a presença das bikes elétricas, que cresceu bastante ao longo do ano, a organização promete repensar alguns aspectos da prova, criando desafios que possam atrair aqueles atletas que pedalam bicicletas com pedal assistido, algo que já começou a aparecer na etapa de Urubici.
Foto: Pedro Cury
“Nesta etapa preparamos algo especial para o pessoal das E-Bikes. Eles fizeram oito especiais, com deslocamentos mais desafiadores para este tipo de bicicleta. Isso para mostrar que o esporte está evoluindo bastante e que essas máquinas realmente são equipamentos de alta performance”, comentou Christian Wagner.
Além de famílias, crianças e atletas de todos os níveis, o Sense Enduro Cup também quer atrair aqueles que estão mais acostumados com provas de cross-country ou mesmo com pedais de passeios, oferecendo diferenciais pensados para públicos distintos.
“Correr de enduro é outro astral. Já tinha corrido de cross-country e o Enduro é um esporte em conjunto. Cada ponto que a galera encontra no reconhecimento, o pessoal conversa, troca experiências...é outro astral”, comentou Walfried Weissmann, o Bob Show, que correu a primeira etapa da competição em Nova Lima.
“Na minha opinião, o Enduro é uma evolução do cross-country. Ele acaba pegando um pouquinho de tudo e você também pedala. Não é downhill e você precisa cumprir um tempo entre as especiais, mas também não é aquela correria das prova de XC, e você tem que dar o seu melhor nas descidas”, complementou Weissmann.
Pedro Cury
“Muitas pessoas acham que o Enduro é muito radical, talvez por associarem a prova com o Downhill, mas a verdade não é assim. É possível, inclusive, correr a prova apenas pelo turismo, totalmente for-fun”, afirmou Gustavo Abah. "Em todas as etapas fornecemos carretos e resgate, para criar uma boa relação entre o tempo de descida e os deslocamentos. A ideia é que a pessoa participe da prova, se divirta e ainda chegue inteiro, a ponto de curtir um show e aproveitar com a família”, finalizou.

Resultados Urubici

Elite Masculino

1 - Bernardo Cruz
2 - André Bretas
3 - Julio Giani
4 - Leonardo Mattioli
5 - Henrique Becker

Elite feminino

1 - Luana Oliveira
2 - Nara Faria
3 - Monica McCosh
4 - Barbara Jechow
5 - Danielle Daher

Resultados Finais

Elite Masculino

1 - Bernardo Cruz
2 - Julio Giani
3 - Henrique Becker

Elite Feminino

1 - Danielle Daher
2 - Nara Faria
3 - Barbara Jechow
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Fonte: https://www.pedal.com.br/sense-enduro-cup-2019-3-bernardo-cruz-e-dani-daher-sao-os-primeiros-campeoes-brasileiros-enduro_texto14120.html

Nossa maior ciclista de estrada desabafa: ''É vergonhosa a falta de apoio no Brasil''

Nossa maior ciclista de estrada teve um 2019 difícil, com acidentes, lesões, longas horas de fisioterapia para se recuperar das quedas. Mas, para a carioca Flavia Oliveira, 38, nada se comparou a ver o sonho olímpico de ir a Tóquio escapar de suas mãos, devido, principalmente, à falta de estratégia e de apoio das entidades brasileiras que coordenam o ciclismo de estrada no país.
Pela primeira vez em décadas, o Brasil não terá nos Jogos nenhum representante da modalidade, que é dividia entre provas de estrada e de contrarrelógio.
Além do ranking por país da União Ciclística Internacional (UCI) — no qual o Brasil não chegou nem perto de levar atletas do masculino ou feminino —, havia também a possibilidade de classificação individual. No feminino, as 100 primeiras atletas da UCI teriam vaga para Tóquio 2020, porém Flavia ficou na 109ª posição. (No masculino, o melhor no ranking ocupa apenas a 705ª colocação.)
A carioca em sua terra natal, com a camisa de pedalar que mais ama (Foto: Reprodução Instagram)
Com atuação brilhante nos Jogos do Rio 2016, onde conseguiu a sétima colocação na competição de estrada (o melhor resultado de um ciclista brasileiro na história desse tipo de prova), Flavia traz no currículo participações em importantes eventos internacionais femininos, como o Giro d’Italia e a clássica de primavera La Flèche Wallonne. E, mesmo com os reveses de 2019, ainda conseguiu conquistar um segundo lugar no Campeonato Nacional de Estrada, terceiro lugar na Volta da Costa Rica e oitavo no Grand-Prix de Plouay, na França. Não é pouca coisa para quem vem de um país com fraquíssima tradição nesse esporte.
Aos 38 anos, Flavia começou sua trajetória ciclística nos EUA, onde mora e onde teve mais oportunidade de treinar e de se sobressair do que se tivesse ficado por aqui.
Bati um papo com a ciclista, que fez um desabafo: “É vergonhosa a falta de apoio ao atleta brasileiro; e não vejo muita chance de essa situação triste mudar tão cedo”.

O que houve? Por que não levaremos nenhum ciclista de estrada para Tóquio?

São várias as razões, incluindo o fato de que algumas regras classificatórias mudaram. Por exemplo, a data para se conseguir a pontuação necessária para os Jogos foi alterada de maio de 2020 para outubro de 2019. Isso fechou nossa já pequena janela de oportunidade. Se tivéssemos até maio do ano que vem, eu tenho certeza absoluta de que conseguiria esses pontos. E a gente também não se qualificou como país, isso é bom ressaltar. Nossa única chance era, portanto, classificarmos uma atleta entre as 100 primeiras — no caso, eu era a mais próxima desses 100.

Você teve um 2019 complicado, o que não colaborou na sua batalha até Tóquio…

Eu tive, simultaneamente, uma lesão e uma suspensão (Flávia foi suspensa por seis meses, em dezembro de 2018, por uso de uma substância proibida). Voltei a competir no final de maio no Brasileiro. Fui atropelada em Guaratinguetá, com fratura de pélvis. Precisei fazer uma reabilitação complicada, porque tive que ficar no Brasil o tempo todo devido à sindicância militar que se deu após o acidente. Não foi o início ideal da temporada. Pensei até em desistir. Nunca tive apoio do Brasil. A única vez que tive apoio de uma marca de bike, por exemplo, foi durante o ano das Olimpíadas, e depois acabou.
Ou seja, o atleta brasileiro de ponta não tem apoio, sempre é muito difícil para nós. Hoje as blogueiras conseguem muito mais do que os atletas. No ciclismo brasileiro são poucos os que vão para fora e tentam a sorte lá.
Quando eu comecei, foi nos EUA, aos 26 anos, bem tarde. E me joguei de cabeça, me apaixonei pelo esporte e fui com tudo. Nunca houve investimento do Brasil em mim. Tudo o que eu fiz foi por meios próprios, com a força particular de muitas pessoas, dos amigos, da família, do meu marido.

Entidades como a Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) não ajudam em nada?

As entidades se utilizam da força de vontade do atleta e, depois, tiram proveito dos frutos que esse atleta colhe. Sem contar a politicagem envolvida. Não existe uma clareza nos métodos que eles usam para selecionar certos atletas para competições como Pan-Americano, o Sul-Americano etc.
Não sei qual é o processo de seleção, nunca fui chamada. Muitas vezes não conseguimos resposta, e pega mal para nosso lado quando perguntamos. Então ficamos calados com medo de perdermos o pouco que temos. A chance de representar seu próprio país vem das federações, independentemente se o atleta se qualificou ou não, porque no final isso depende de a CBC concordar em te chamar.

Diferentemente de países como a Colômbia, o Brasil não se dedica a formar novos ciclistas… por que isso?

É um conjunto de coisas: falta visão, falta administração, falta paciência, porque o atleta não tem como mostrar resultado logo que começa. A pressão é muito grande nesse sentido. É como uma plantinha, precisa plantar, regar e ter paciência para esperar dar frutos.
Não tem como querer resultado imediato só porque há no calendário uma competição grande. Isso desmotiva e incentiva o doping.
Não entendo essa mentalidade das federações brasileiras. Todos os países fazem um processo de crescimento e desenvolvimento do atleta para que ele chegue a seu auge, e para que fique lá o máximo possível — dando a ele oportunidade, estrutura, acompanhamento. Não é da noite para o dia que isso acontece. Tem todo um processo de aprendizado, de erro e acerto. Passei anos até conseguir dar resultados.
Tudo vem da cultura, da forma de pensamento, das organizações que estão comandando a situação. Se não tem investimento, não tem retorno. A realidade do esporte do Brasil é esta: os atletas que dão frutos estão sendo usados pelas entidades, que não investem nada neles.

Como vocês, atletas, se viram para participar de campeonatos mundiais e outras provas internacionais?

Pagamos nossa passagem para participar de provas internacionais como o Mundial, sem um mecânico, sem um apoio, nada. É cada um por si e deus por todos. É vergonhoso. Para que tirar proveito do atleta dessa maneira?
Que falta de respeito você precisar pagar para representar seu próprio país, em um esporte ao qual se dedica tanto e merece estar ali. É triste, não tem outra palavra. Não tem como melhorar, não vejo como essa situação possa mudar tão cedo.

Como é para vocês, do Brasil, chegarem lá fora sem nenhuma estrutura?

Você já começa derrotado, né? Você observa a estrutura e o valor que os outros países dão a seus atletas, e vê que não recebemos o mesmo. Infelizmente aqui querem resultado sem dar investimento. E esse sistema não funciona, não dá, é impossível.
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POR: Erika Sallum
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Fonte:  https://ciclocosmo.blogfolha.uol.com.br/2019/11/11/nossa-maior-ciclista-desabafa-e-vergonhosa-a-falta-de-apoio-no-brasil/

Senhor de 82 anos se torna a primeira pessoa no Reino Unido a pedalar um milhão de milhas

Russ Mantle conseguiu o feito absolutamente notável de se tornar a primeira pessoa no Reino Unido a pedalar um milhão de milhas durante toda a sua vida, aos 82 anos. Mantle, de Aldershot, em Hampshire, disse que estava "impressionado com o interesse" em sua conquista, ao fazer o check-out das quatro milhas finais no caminho para o Canal Café em Mytchett, perto de sua casa.
O ex-carpinteiro e marceneiro tem uma média impressionante de 14.700 milhas por ano nos últimos 68 anos, tendo começado a pedalar em 1951, Mantle começou sua odisseia sem o benefício da gravação por Strava ou GPS, então anotou detalhes de suas viagens em diários de papel (incluindo resultados de muitas vitórias em provas de contrarrelógio).
"Eu realmente não tenho por isso, mas as milhas se acumularam naturalmente porque eu gosto tanto de andar de bicicleta que é natural ser um consumidor de milhas. - completou Mantle, suas viagens incluem caminhos pela América, Canadá, pela Europa continental e por todo o Reino Unido.
“Este ano é o meu ano de menor quilometragem, com 13.000 milhas. Atingir um milhão de milhas é apenas mais um marco. Para o próximo. Talvez quando eu tiver 100 anos eu ganhe dois milhões. "
Ele foi um membro-chave da West Surrey CTC, liderando passeios pelo clube por 20 anos, e ainda é membro de vários grupos de ciclismo.
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Fonte: https://www.pedal.com.br/senhor-de-82-anos-se-torna-a-primeira-pessoa-no-reino-unido-a-pedalar-um-milhao-de-quilometros_texto14108.html

1º PEDAL BENEFICENTE para o PEDRO - ARAPOTI-PR 10/11


A Equipe LOUCOS POR PEDAL da cidade de ARAPOTI-PR estará organizando neste dia 10/11 seu 1º PEDAL BENEFICENTE em prol do tratamento do menino PEDRO. O valor da inscrição é de R$ 25,00 e está sendo feito através da plataforma SYMPLA neste link:

LINK PARA INSCRIÇÃO

A concentração o CHAFARIZ DO CENTRO da cidade será a partir das 07:00hs da manhã, tendo como horário de saída às 08:00hs da manhã.
Haverá KIT CAFÉ DA MANHÃ + MEDALHA DE PARTICIPAÇÃO para os primeiros 150 inscritos.
Para o percurso haverá PONTOS DE APOIO COM ÁGUA E FRUTAS,  carro de apoio e suporte com ambulância.
O PERCURSO será de 25KM pela Trilha das Águas.
A chegada será também será no CHAFARIZ..

Um pouco mais da história do MENINO PEDRO.

- Por este meio venho esclarecer o quadro clinica do Pedro Miguel, ele sofre de epilepsia, com 3 anos de idade ele teve um AVC, e a partir dai só 50% do cérebro funciona, ele teve que reaprender tudo novamente, foi desde ai que a luta dele começou. ele depende do uso contínuo de 5 anti-convulsivos, para não ter crise e não agravar "mais ainda" a sua lesão cerebral.
- Pedro tem a vida consideravelmente normal, estudando no período da tarde na APAE de Arapoti-PR.
- A 3 meses atrás ele começou a ter crises convulsivas parciais (revirar o olho estando-consciente, perda da mobilidade das pernas, não conseguindo caminhar, tem cãibras constantes, muita sonolência) coisa que jamais ele teve, por ser uma criança um pouco agitada.
- Foi então que sua mãe tomou a decisão de leva-lo ao hospital pequeno príncipe (onde ele já faz tratamento) para se consultar na emergência. onde foi internado imediatamente na UTI.
- Depois de diversos exames descobriram que o Pedro está com um vírus que causa inflamação no cerebro, figado e rins. O único tratamento é aumentar as hemoglobinas dele para que o próprio organismo crie anticorpos para combater esse vírus.
- O pedro está em coma desde o dia 12/10 por causa dessa inflamação no cérebro.
- A epilepsia dele está controlada através de medicamento, diante dos exames.
- A renda do Pedro vem da mãe dele que é manicure e como ela está com ele 24h por dia na UTI fica complicado vir recursos a ele.

Vamos todos nos unir e ajudar o Pedro a comprar as coisas que o hospital não fornece. 

Isso é só um meio de esclarecimento para aqueles que não conhecem o estado clinico dele.

DEUS ABENÇOE A TODOS, E QUE NOS AJUDAM NESSE MOMENTO DIFÍCIL.

Van Der Poel foca em repetir título mundial de cyclocross em 2020

Um dos grandes nomes do ciclismo mundial em diversas modalidades, Mathieu Van Der Poel, desfrutou de um retorno vitorioso no cyclocross neste domingo, o atleta de 24 anos tem grandes ambições para a próxima temporada, incluindo ganhar ouro olímpico.
"O foco também está nas Olimpíadas.Tóquio é o meu sonho e, depois disso, um grande tour é o grande e novo desafio. Eu quero ir para a Vuelta.", disse van der Poel a revista Sporza.
Divulgação / Corendon-Circus
Como se não bastasse, o holandês também pretende defender a camisa de campeão mundial no cyclocross na Suíça no início de Fevereiro e aí seguir para Bélgica e também França em Abril para as clássicas, pois Tour de Flanders e Paris Roubaix estão na lista do campeão.
A Vuelta é um objetivo específico para nossa equipe",comentou o chefe da equipe Corendon-Circus, Christoph Roodhooft. No entanto, a largada da equipe belga está longe de ser garantida e depende da conquista de um convite da organização, já que a equipe do atleta é Pro Continental e apenas equipes Pro Tour tem vaga garantida. Embora a equipe não tenha participado de um grand tour antes, o início da Vuelta na Holanda pode ajudar em 2020.
Van Der Poel declarou também que um dos objetivos é correr o máximo de provas possíveis para não perder o ritmo, isso inclui competir inclusive durante o período do Natal e não participar do training camp de sua equipe em Dezembro.
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Décima edição da ultramaratona de sete dias definiu os campeões de edição histórica

A 10ª edição da Brasil Ride terminou no último sábado, 26 de outubro, em grande estilo, coroando campeões em dez categorias em Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro (BA). Ao todo, mais de 2.500 ciclistas de 23 países estiveram reunidos no último dia do evento, com a realização da Maratona dos Descobrimentos em paralelo à sétima e decisiva etapa do evento. Após o encerramento, a certeza de todos é que o evento foi bem sucedido.
“Muito feliz com a conclusão de mais um edição da Brasil Ride, a maior ultramaratona de mountain bike das Américas, eleita por muitos como a mais difícil do mundo”, avaliou o fundador do evento, Mario Roma.
Segundo ele, após o término do evento, a organização recebeu o retorno de vários atletas de diferentes partes do mundo, com diversos elogios e críticas construtivas a respeito da prova, o que nos deixa muito satisfeitos. “Em conversa com os membros da UCI (União Ciclística Internacional), presentes na prova, também ouvimos diversas palavras de parabenização, ou seja, estamos realmente contentes por mais uma temporada concluída”, acrescentou. A prova cresceu mais de 20% este ano.
O comissário da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), Antonio Vink que coordenou a parte técnico junto com a UCI concorda com Mario Roma. “Vimos uma evolução enorme do ano passado para cá na estrutura, na condição para trabalharmos e para os atletas”, salientou.
O atleta mineiro Hugo Prado Neto, de Belo Horizonte e representante da OCE/Equipe Specialized, completou seu nono Brasil Ride em 2019. Ele também comentou o crescimento da prova e apontou o grande número de atletas internacionais de alto nível, entre eles alguns campeões mundiais e até mesmo a presença de um campeão olímpico.

CAMPEÕES

Nas duas principais categorias do evento, as elites masculina e feminina, os campeões fizeram sua festa e puderam comemorar com o público na beira do mar. Uma grande festa do mountain bike, que teve o português Tiago Ferreira e o holandês Hans Becking no degrau mais alto do pódio da open, e as brasileiras Viviane Favery e Tânia Clair Pickler como campeãs entre as mulheres. As melhores duplas das Américas foram Edson Rezende e Nicolas Sessler (American Man) e Jaqueline Mourão e Danilas Ferreira (American Woman).
Na dupla mista e master, o domínio foi total dos portugueses: José Silva ao lado de Celina Carpinteiro e Tiago Clamote junto com Tiago Silva foram os vencedores.
Na grand master, os ganhadores também foram dois estrangeiros, o argentino Pablo Rodrigues e o venezuelano Raul Navarro. Na nelore o título ficou com Robson Mendes e Aldenio Bandeira, dupla de Costa Rica, no Mato Grosso do Sul, sede do Mundial 24h, a corporativa foi vencida pelo trio Wagner Quirino, André Di Carlo e Enrico Sampaio, e por fim a estreante iron rider teve o triunfo de Bruno Ryker e Pedro Vinicius Ferreira.

SUPERAÇÃO

Reconhecida nacionalmente por ser a prova que mais incentiva atletas da categoria PcD (pessoas com deficiência), a Brasil Ride contou neste ano com três participantes: Adauto Belli, cego de ambos olhos, que competiu em uma bike dupla (tandem) com apoio de Weimar Pettengill, Bruno Paim, ciclista sem os dois braços, e Paulo Santana, que não possui a perna direita.
“Venho para a Bahia, faço a prova, sofro e me divirto. Mas, quando volto para casa, já estou pensando na próxima edição”, comentou Adauto Belli.
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Curitiba planeja dobrar a malha de vias para bicicletas

Evento no Ippuc para apresentar o Plano de Estrutura Cicloviária
A Prefeitura de Curitiba instituiu nesta sexta-feira (1º/11), em solenidade no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), o Plano de Estrutura Cicloviária, que estabelece metas para dobrar a malha de vias para bicicletas na cidade até 2025. A malha hoje é de 208km e a intenção é chegar a 408km.
Definida pelo Decreto Municipal 1418/2019, a medida também estabelece as competências sobre gestão e implantação do plano. No ato de sua criação, o plano já passou a contar com o primeiro trecho do eixo cicloviário Intercampi, nova estrutura para a ligação do campus de Comunicação e Artes ao campus de Agrárias da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
O evento reuniu vereadores, representantes de entidades ligadas à ciclomobilidade, como a Federação Paranaense de Ciclismo e a Cicloiguaçu, e técnicos que participaram da elaboração do plano.
“É um projeto para todos, definido por orientação do prefeito Rafael Greca”, afirmou o vice-prefeito, Eduardo Pimentel.
Na opinião do vice-prefeito, a integração entre modais é um desafio a todas as cidades. “Na formação dos rankings de cidades inovadoras a integração modal é um dos itens mais levados em consideração”, disse Pimentel.
Para o presidente do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, a instituição do plano que valoriza a ciclomobilidade é um marco de um processo de construção compartilhada. “É um movimento para que a sociedade se insira neste processo. O Plano de Estrutura Cicloviária mostra a importância deste modal para a nossa cidade”, frisou.
O presidente da Federação Paranaense de Ciclismo, Eduardo Pereira, também valorizou o plano como uma forma de promoção do deslocamento por bicicleta.
“Onde cabe um carro, cabem quatro bicicletas. O plano vem a calhar no processo de melhoria da ciclomobilidade. Agradecemos ao prefeito por pensar nos ciclistas”, disse Pereira.
Também estiveram no evento os vereadores Maria Letícia e Bruno Pessuti e o coordenador geral da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu (Cicloiguaçu), Fernando Rosenbaum.

Eixo Intercampi

Em implantação, o eixo Intercampi, nova estrutura para o trânsito de bicicletas na região do Juvevê e Cabral, terá 3,4 km de extensão. Vai formar uma rede com ligação à ciclofaixa da Avenida João Gualberto, ao Terminal Cabral e até a estrutura existente da Rua Flávio Dalegrave, na marginal da linha férrea.
No roteiro da ligação cicloviária entre os campi da UFPR há diferentes tipologias de estrutura em implantação. Nas proximidades do campus de Comunicação e Artes são ciclofaixas bidirecionais em trechos das ruas Manoel Eufrásio e Recife, mais um trecho de passeio compartilhado na Rua Almirante Tamandaré. O itinerário segue com ciclofaixa na Arthur Loyola e ciclorrotas em trechos da Chichorro Jr., João David Perneta, João Américo de Oliveira e Fernandes de Barros, no entorno do campus de Agrárias.
O Plano de Estrutura Cicloviária, em desenvolvimento pela Prefeitura, prevê um sistema integrado por laços de conexão (que ligam os setores não contemplados com estrutura para bicicletas à estrutura existente mais próxima) favorecendo à intermodalidade ou multimodalidade de transporte.

Já implantados

Nesta primeira fase do Plano de Estrutura Cicloviária a implantação chegará a 13,4km. Deles, já estão implantados 3,1km na Avenida Manoel Ribas; 2,6km na Avenida da Integração; 1,7km no binário Nova Aurora/Ourizona.
Também há 3,4km em implantação na ligação Intercampi da UFPR, somada à estrutura já concluída com 2,6km em trechos das ruas Konrad Adenauer, Dante Angelote e José Zgoda, no entorno do Jockey Plaza Shopping, no Tarumã.

Eixo Leste-Oeste

Ainda estão previstas para esta primeira fase, a ser implantada ao longo deste ano e do ano que vem, 10,5km de estrutura cicloviária na ligação do Setor Estrutural Oeste, passando pelas ruas Visconde de Nácar, Professor Fernando Moreira, Padre Anchieta e Deputado Heitor de Alencar Furtado.
Além deles, mais 7,5km na Avenida Nossa Senhora de Lourdes e ruas João Doetzer e Leônidas Marques, na região do Jardim das Américas e Cajuru, próximo ao Centro Politécnico da UFPR.

Eixo Sul

Mais 5,8 da Praça do Japão ao Fazendinha, pelo eixo da República Argentina, e outros 7,7km no eixo da Avenida Winston Churchill, Rua Ricardo Gasparian Machado e Rua dos Pioneiros, na região do Pinheirinho. Serão também implantadas estruturas nas ruas Waldemar Loureiro de Campos, Rua Júlio Eduardo Gineste e Linha Verde.

CIC

Na CIC, está prevista a ativação de uma malha com 15,5km de estrutura cicloviária. Ela fará a conexão da área industrial à comunidade da Vila Nossa Senhora da Luz, Caiuá, Sabará, Vila Verde, Vitória Régia, até as proximidades da empresa Volvo.
Com os trechos implantados e em implantação Curitiba alcança 221,4 km de estrutura cicloviária. Ao seu final, o Plano de Estrutura Cicloviária deverá praticamente dobrar malha voltada à circulação de bicicletas na cidade até o ano de 2025.
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Foz do Iguaçu agora tem um portal sobre ciclismo

Hoje é amplamente sabido que só há vantagens no uso da bicicleta ao invés do carro – essa prática traz benefícios para todos: desafoga o trânsito, faz bem à saúde de quem pedala e, de quebra, ainda ajuda o meio ambiente. Foi por isso que o bibliotecário Fernando Correia e a jornalista Mayara Godoy, servidores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, uniram-se em prol de uma paixão em comum: o ciclismo. A partir da fusão das palavras “bicicleta” e “ciclismo”, surgiu o Bicicletismo, o primeiro portal sobre ciclismo de Foz do Iguaçu.
A ideia de criar o site surgiu porque os dois servidores frequentemente se reúnem com outros amigos para pedalar em grupo, à noite ou aos finais de semana. “Percebemos que era difícil encontrar informações sobre ciclismo aqui em Foz do Iguaçu. Apesar de ser uma cidade turística, não existe muito incentivo ao uso da bicicleta”, explica Fernando. Mas, se para quem reside na cidade já é difícil encontrar uma rota segura para pedalar, imagine para o turista ou para quem acabou de se mudar pra cá. “Para uma pessoa iniciante, era difícil encontrar, por exemplo, informações sobre boas rotas para se fazer de bike. E, a cada vez que postávamos em nossas redes sociais, muitas pessoas vinham falar com a gente para pedir essas informações, dicas, e para saber mais sobre os passeios”, acrescenta Mayara.
Todo o material postado no Bicicletismo é produzido a partir das experiências, observações e conhecimentos dos seus idealizadores (ou de amigos) e escrito após muita pesquisa, já que a dupla prioriza a qualidade dos textos. Ou seja, as informações encontradas lá são escritas por ciclistas de verdade, de forma “organizada e sistematizada, com fotos e hyperlinks, para facilitar o compartilhamento com as pessoas interessadas”, destaca a jornalista. De repente, eles perceberam que não se tratava apenas de lazer, pois foram surgindo assuntos bem mais abrangentes, como “questões sobre a legislação de trânsito, dicas de segurança, orientações para fazer manutenção da bicicleta, passando por dicas de como ir às Cataratas pedalando, por exemplo”, diz o bibliotecário.

A prática do ciclismo em Foz

Além do ciclismo ser uma paixão, este projeto cumpre uma importante função social. “A cada pedal, passamos a identificar novas pautas. Uma delas, que nos intrigou desde o começo, foi relativa à péssima infraestrutura cicloviária na cidade – praticamente inexistente. Então, iniciamos uma série de reportagens, na qual começamos a percorrer cada uma das ciclovias ou ciclofaixas da cidade, registrando em fotos e anotações a usabilidade e estado de conservação, segurança e outros aspectos”, relata Mayara.
Ambos ressaltam que, embora Foz do Iguaçu tenha muito potencial para incentivar a prática do ciclismo – existem várias opções de lugares para pedalar, desde para quem curte mais trilhas no meio do mato até para quem prefere pedal urbano – falta investimento em ciclovias e, principalmente, conscientização e educação para o trânsito, para que todos possam conviver em harmonia.
Contudo, os ciclistas unileiros consideram que o papel no incentivo ao uso da bicicleta não cabe somente ao poder público. “A iniciativa privada também pode e deve incentivar as pessoas a usarem a bicicleta para ir ao trabalho ou à escola/faculdade, por exemplo. Mas, como Foz do Iguaçu é uma cidade muito quente, a disponibilidade de vestiários para que as pessoas possam tomar um banho ao chegar ao trabalho, por exemplo, seria bem importante”, destaca Mayara. “Da mesma forma, a instalação de bicicletários adequados e seguros também seria uma excelente forma de incentivo”, complementa Fernando.

Reconhecimento

O site, que completou um ano no mês de setembro, já colheu os frutos do trabalho que vem sendo realizado. Fernando e Mayara foram convidados para viajar a São Paulo, para dois grandes eventos de ciclismo, entre eles o maior festival de ciclismo da América Latina, a Shimano Fest.
“Ter participado desses megaeventos e conhecido os maiores jornalistas que cobrem o ciclismo no país nos abriu novos horizontes, e percebemos que podemos profissionalizar ainda mais o site”, salienta Mayara.
A partir dos conhecimentos somados no dia-a-dia da prática esportiva e da experiência adquirida através de pesquisa e contato com grandes conhecedores deste esporte, eles enfatizam a importância das pessoas sentirem-se seguras em cima da bicicleta, o que, muitas vezes, é difícil, principalmente pelo fato do trânsito ser muito violento.
 “Ciclistas e pedestres raramente têm vez frente aos veículos automotores. E essa é outra questão que nos motiva: a conscientização”, finaliza Fernando.
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Enquanto a cultura da bike cresce, o ciclismo de estrada esta morrendo no Brasil

Seleção brasileira que disputou o evento-teste da Olimpíada (Guito Moreto/Divulgação)
Pela primeira vez em 36 anos, o Brasil está fora dos Jogos Olímpicos em uma das mais modalidades mais populares do mundo: o ciclismo de estrada. E não foi por falta de vaga. Só no masculino se classificaram 57 países, sendo 11 só das Américas, incluindo Peru, Guatemala e Panamá. Um fracasso retumbante, que coincide como um momento histórico do avanço da cultura da bicicleta nos grandes centros urbanos e com o crescimento da presença de grandes marcas ao mercado nacional.
Em concomitância, porém, também, com o desmoronamento das estruturas do ciclismo profissional no país. O fim do patrocínio da Caixa Econômica Federal à Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC) tem apenas uma fração de responsabilidade por isso. Pesam expressivamente mais o desinteresse de concessionárias de rodovias e órgãos públicos, especialmente estaduais, e o desestímulo aos patrocínios, causado por uma cultura de doping.
Esta reportagem já estava sendo apurada quando um fato novo refletiu à perfeição por que a engrenagem do ciclismo brasileiro anda para trás. Endrigo Rosa Pereira puxava o pelotão da Volta de Guarulhos em um circuito fechado no domingo (27) quando foi atropelado por um carro em alta velocidade, que invadiu o local de competição porque a prefeitura não havia colocado guardas fechando a avenida. A corrida acabou ali, Endrigo escapou de uma tragédia por sorte e agora vai ter que arcar sozinho com o prejuízo da bicicleta destruída.
O organizador, que passou semanas de gabinete em gabinete ouvindo recusas de apoio do poder público, teve que alterar todo o trajeto faltando quatro dias para a largada e havia recebido garantia de que ao menos ali haveria segurança, agora decidiu que nunca mais tenta realizar uma volta ciclística.
Pense por um segundo: fosse você o diretor de marketing de uma empresa, você associaria sua marca? Fosse ciclista, arriscaria sua vida? Fosse organizador, apostaria sua credibilidade?
Ciclistas durante o derradeiro Tour de São Paulo, em 2014 (Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação)

Sem ter para onde correr

Diferente da vizinha Colômbia, o Brasil nunca foi uma potência no ciclismo de estrada. Ainda assim, ocupou um lugar respeitável na modalidade. Entre 1988 e 2016, somou 22 participações nos Jogos Olímpicos, classificando uma média de quase três atletas por edição. Essas vagas costumavam ser obtidas por um ranking regional, no qual o Brasil variava entre o quarto e o quinto lugares. Desta vez os critérios foram outros, mas esse ranking continua existindo. O Brasil é 13º.
A queda está diretamente relacionada à descontinuidade de grandes voltas ciclísticas, que pontuavam para o ranking da União Ciclística Internacional (UCI). Em 2014, por exemplo, foram realizadas quatro dessas voltas, em São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro, com duração de quatro a sete dias e atraindo diversas equipes estrangeiras. "Era mais barato organizar uma prova no Brasil do que levar uma equipe inteira para competir lá fora", explica Leandro Bittar, jornalista especializado em ciclismo.
A última prova internacional realizada no Brasil foi a Olimpíada, em agosto de 2016. Depois disso nenhum outro evento foi chancelado pela UCI, nem mesmo as chamadas "clássicas", de um dia, como a Copa América. E nada indica que esse cenário vá mudar. Pessoas do mercado afirmaram ao Olhar Olímpico que sequer existem projetos de novos eventos assim.
"A dificuldade é absurda, absurda, absurda, absurda, você não tem uma noção" diz Cláudio "Facex", o organizador da Volta de Guarulhos, que chegou à sua quarta e última edição precisando realizar uma etapa em Pindamonhangaba, a mais de 120 quilômetros, por falta de outra opção. Depois do acidente de domingo, em trajeto que não estava no plano original, ele decidiu que não organiza novos eventos.
A falta de apoio acabou com outros eventos de porte. A Volta do Paraná teve sua última edição em 2015, ano em que a Volta Internacional de São Paulo, conhecida como Tour Brasil, mais importante do país, foi cancelada por falta de apoio dos órgãos públicos. Nunca mais voltou. Aconteceu o mesmo com o Tour do Rio, em 2016, quando a prova foi cancelada a uma semana da largada, com os organizadores reclamando de falta de apoio dos governos municipal, estadual e federal. A federação do Rio, naquele ano, se opôs a mais uma reeleição de José Luiz Vasconcellos, presidente em terceiro mandato da CBC.
Tour do Brasil passa pelo local de fundação da cidade de São Paulo (Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação )

Falta de vontade política

O ciclismo de estrada depende do poder público como nenhum outro, nem o automobilismo. Um organizador privado pode alugar um autódromo também privado e realizar sua corrida. No ciclismo de estrada é diferente. Se o poder público não autorizar o fechamento de uma estrada não existe sequer treinamento, quanto menos uma prova oficial.
"O Brasil tem uma dificuldade enorme de garantir oportunidades de treino. Veja o caso da USP. A gente tem feito monitoramento e [a proibição de treinamento em determinados dias e horários] reduziu para menos da metade da quantidade de pessoas pedalando. É um problema crônico de o poder público não garantir estruturas mínimas", diz Daniel Guth, pesquisador de políticas de ciclomobilidade e coordenador de projetos da Aliança Bike, associação da indústria da bicicleta.
A entidade tem acompanhado audiências públicas de concessão de estradas para garantir que os editais prevejam faixas para bicicletas, uma realidade inexistente no país. Acidentes envolvendo ciclistas e veículos motorizados são rotina em todo o mundo, mas em países como a Colômbia têm crescido campanhas de conscientização. Não é o caso do Brasil.
"As pessoas vêm treinando em espaços internos, com rolo, por exemplo. É uma manifestação da ausência de espaços dedicados, seguros, bons. Para massificar, detectar novos atletas, tem que criar condições na base, coisas que não estamos fazendo", continua Guth. Em 2013, Clemilda Fernandes, então principal ciclista brasileira, foi atropelada por um caminhão enquanto treinava. Em maio, um medalhista do Parapan morreu atropelado em Santa Catarina.
Para Bittar, o ciclismo de estrada sempre dependeu de um bom relacionamento político. Com as secretarias estaduais e municipais de esporte cada vez com orçamento menor, muitas vezes transformadas em diretorias, esse relacionamento tem se tornado cada vez mais penoso.
"Os governos impõem muitas dificuldades. A Dersa (Desenvolvimento Rodoviário, ligada ao governo paulista), por exemplo, sempre vai ser contra. Ela nunca vai ter vantagem, porque quanto mais gente tiver andando de bicicleta, maior o risco para ela. As concessionárias também não têm interesse, porque não querem gente pedalando ali no fim de semana ou nas férias. Não vale a pena incentivar o uso, o risco é muito maior do que o resultado que pode gerar de imagem. Algumas cidades entenderam que vale a pena, mas é muito raro", conta Bittar.
Contam-se nos dedos essas cidades, onde também o apoio é pendular, dependendo de quem está no poder municipal. A Volta de Guarulhos, por exemplo, conseguiu apoio da Polícia Rodoviária Federal para percorrer parte da Rodovia Presidente Dutra, federal, apesar da oposição da concessionária CCR. Mas recebeu a recusa do governo do estado em seu pleito para utilizar a Ayrton Senna, estadual. Em Guarulhos, a prefeitura apoiou, desde que o percurso fosse num circuito de dois quilômetros, o que não combina com o ciclismo profissional de estrada. E, mesmo assim, sem a segurança necessária, como ficou comprovado com o atropelamento.
Kleber Ramos, brasileiro pego no doping na Olimpíada (divulgação)

Cultura do doping

Nos dois anos que antecederam a Olimpíada do Rio, o Carrefour decidiu apostar no ciclismo, modalidade com a qual tinha ampla experiência, patrocinador que era da Volta da França. A rede francesa deu apoio maciço a uma equipe do Vale do Paraíba, a Funvic, fundada em 2007 por Benedito Tadeu Azevedo Júnior, o Kid (no ciclismo, praticamente todo mundo é conhecido pelo apelido).
A equipe teve um representante na Olimpíada, Kleber Ramos, o Bozó, que se notabilizou por ser o primeiro caso de doping da Rio-2016. Ele não caiu sozinho. No fim de 2018 já eram sete atletas da equipe suspensos, o que fez a UCI cancelar a licença que permitia à equipe brasileira competir internacionalmente e percorrer o mundo. O Carrefour, naturalmente, retirou o apoio.
A Funvic, porém, não é exceção. Atualmente o Brasil tem mais de 30 ciclistas suspensos por doping, a enorme maioria do ciclismo de estrada, a ponto de a UCI tratar o doping no ciclismo brasileiro como uma de suas preocupações globais. Uma marca que patrocine uma equipe com oito ciclistas tem oito chances de conquistar vitórias em eventos de pouca repercussão – e oito chances de ser associada negativamente ao doping.
As suspensões também impactaram no ranking que definiu as vagas olímpicas. Flávia Oliveira, melhor brasileira, só começou a temporada em julho porque estava cumprindo a segunda suspensão da carreira. No masculino, diversos campeões nacionais estão suspensos, como Caio Godoy, Everson de Assis Camilo e Roberto Pinheiro. Em 2017, a CBC chegou a retirar quatro atletas da convocação para um Campeonato Pan-Americano porque eles eram da Funvic e havia o risco de caírem no doping.
Magno Nazaret foi medalhista de prata no Pan, no contrarrelógio (Jonne Roriz/COB)

Vazio de ideias

Ninguém tem dúvidas de que o cenário é muito ruim, da mesma forma que ninguém parece saber como mudá-lo. A começar pela falta de renovação. Atualmente somente três brasileiros atuam profissionalmente no exterior: Magno Nazaret (San Juan/Argentina), Nicolas Sessler (Burgos/Espanha) e o jovem Vinicius Rangel, que está nas categorias de base da equipe do astro espanhol Alejandro Valverde. Outros, como o campeão brasileiro Vitor Zucco, que corre nos Estados Unidos, ainda o fazem de forma amadora.
No Brasil só há uma equipe oficialmente profissional: a São Francisco Saúde/Klabin/Ribeirão Preto, apoiada pela prefeitura local. Repleta de veteranos como Rodrigo Nascimento (34 anos), Cristian Rosa (32) e Rafael Andriato (32), a equipe não compete no exterior desde abril. No Brasil, vale lembrar, não existem provas que valem pontos no ranking.
No feminino há uma ponta de esperança porque a Memorial, de Santos, também apoiada por sua prefeitura, conseguiu este ano a chancela profissional da UCI. Mas porque competiu na Europa este ano em esquema completamente amador, com as atletas ficando hospedadas em hosteis, numa típica viagem low cost. A Memorial chegou a abrir uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro para tentar pontos para Tóquio-2020. Queria R$ 50 mil e arrecadou R$ 1,3 mil.
Os gargalos são diversos e começam pelo custo de equipamento. O Brasil não produz bicicletas de alta performance, que precisam ser importadas. Em 2011 o governo federal aumentou de 20% para 35% o imposto de importação desse material, que hoje significa uma tributação acumulada de 107%. Ou seja: a bicicleta chega ao Brasil custando o dobro do seu valor original.
Além disso, há um gargalo que, para todos os especialistas ouvidos, é decisivo: a inoperância da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC). "A CBC está completamente em nocaute e a ingerência dela é o principal agente para esse cenário", diz Bittar. A entidade deixou de pagar para brasileiros competirem no exterior, mesmo em competições oficiais, abrindo a possibilidade para quem tiver condições ir por conta.
A confederação não aceitou que seus dirigentes dessem entrevista para esta reportagem. Em nota, culpou a falta de dinheiro pelo fracasso esportivo. "O planejamento de classificação foi montado baseado no ranking mundial, utilizando as disciplinas com maior probabilidade de classificação como prioridade para recebimento de recursos", disse a entidade, alegando ainda que "não é possível investir e participar de provas UCI classificatórias com apenas um ou dois atletas", o que faz com que os custos de participação no ciclismo de estada sejam mais altos. A entidade não explicou se tem um plano para o ciclismo de estrada que vá além da pontuação no ranking mundial.
Henrique Avancini (Michele Mondini)

Cobertor curto, concorrência dura

A crise do ciclismo de estrada no Brasil coincide com o melhor momento da história do mountain bike no país. Henrique Avancini é o número 2 do ranking mundial e pode ganhar a primeira medalha olímpica da história do país. Enquanto a Volta de Guarulhos sofria com a falta de estrutura, o sul da Bahia recebia um dos maiores festivais de ciclismo off-road do mundo, o Brasil Ride, com alguns dos melhores ciclistas da atualidade.
"O esporte tem toda uma cadeia, com calendário em franco crescimento e com muita aceitação e participação de atletas amadores. O MTB tem uma agenda crescente e ter o Avancini é uma coisa incrível. Além disso, tem diversos parque públicos abertos para a prática do MTB", argumenta Guth, da Aliança Bike.
Bittar concorda. "Se você vai iniciar seu filho no ciclismo, o moutain bike é muito mais atraente, porque você vai ter mais segurança de colocar seu filho para pedalar fora da estrada do que na estrada", comenta. Além disso, para o mercado, o mountain bike é mais barato, porque permite a uma marca apoiar um homem e uma mulher, por exemplo, enquanto que na estrada é necessário pagar por uma equipe inteira.
Toda a roda que não gira no ciclismo de estada – ou, pior, gira para trás -, no moutain bike gira para frente. A modalidade tem mais de 30 atletas que vivem exclusivamente do esporte, que tem eventos de ponta no país durante todo o ano e pode receber etapa do circuito mundial a partir de 2021.
Além disso, eventos de moutain bike podem englobar tanto o alto-rendimento quanto o esporte de participação, amador. Na estrada, por conta do tempo de fechamento de uma via, isso não é possível, o que faz com que as competições oficiais concorram, por patrocínio e apoio público, com os eventos amadores.
É o caso do governo de São Paulo. Quando o blog procurou o governo para tratar da falta de apoio a provas profissionais, a secretaria de transporte enviou nota citando que três rodovias tiveram fluxo interrompido para a realização da L'Étape Brasil do Tour de France, evento amador que faz parte do calendário turístico estadual – a secretaria omitiu a informação de que o fez diante do pagamento de diversas taxas. Enquanto isso, eventos do calendário esportivo, como a tradicional 9 de Julho, prova mais antiga do país, não recebem qualquer apoio da Secretaria de Esporte.
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Organizador culpa secretário por atropelamento de ciclista em Guarulhos...

George Panara/MundoBici
Organizador da Volta Internacional da Cidade de Guarulhos, Cláudio "Facex" culpa o secretário de Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana de Guarulhos, Paulo Carvalho, pelo atropelamento de um ciclista durante a terceira e última etapa da competição, no domingo. Endrigo Rosa Pereira sofreu apenas lesões leves, mas por milésimos não foi acertado em cheio por um veículo que trafegava em avenida que deveria estar fechada. A bicicleta ficou destruída.
"O secretário não deu importância para o evento e fez de tudo para sabotá-lo", acusa Facex, como é conhecido o organizador, em referência a uma faculdade que o patrocinava durante a carreira de ciclista. Segundo ele, a secretaria de transportes não fechou a via, conforme combinado. "Era para dar dez voltas no circuito de dois quilômetros. Quando ia entrar a sétima volta, o carro entrou. Antes tinha o cone lá, mesmo sem a viatura atravessada para fechar a rua, como deveria ser. Mas aí alguém tirou o cone", explica.
A reportagem esteve com Facex no início do ano e ouviu dele diversos relatos de dificuldades para tirar a Volta de Guarulhos do papel. Para esta quarta edição os problemas se repetiriam. Segundo ele, o governador João Doria (PSDB) ordenou que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) vetasse a utilização da Rodovia Ayrton Senna por questões políticas contra o prefeito de Guarulhos Gustavo Henric Costa, o Guti (PSB).
Por isso, uma etapa precisou acontecer dentro da cidade de Pindamonhangaba, graças à intervenção de um amigo. As outras duas, em Guarulhos, dependiam da prefeitura. "O prefeito sempre nos deu apoio. Ele fez reunião com todos os secretários dizendo: 'Eu quero que faça, e bem feito'. Só que o secretário de trânsito saiu da reunião dizendo que não ia fazer o que ele pediu. O Ministério Público exigiu uma série de documentos e todas as secretarias deram. A de trânsito só liberou em cima da hora, com um monte de alterações", conta.
O local e o horário da primeira etapa foram alterados, assim como todo o trajeto da etapa final, que deveria percorrer toda a cidade de Guarulhos. Diversas equipes desistiram da prova após essas alterações. As que ficaram decidiram encerrar a corrida logo após o atropelamento de Endrigo. E se solidarizaram com Facex, entendendo que a responsabilidade por fechar a pista era da prefeitura. Ele diz que nunca mais vai organizar corridas de bicicleta.
Em nota a prefeitura disse que: "a volta ciclística não é organizada pela municipalidade e que apenas deu suporte estratégico para a realização do evento", ressaltando que "o isolamento da área deveria ser realizado pelos organizadores, com o apoio da administração".
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