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Mundial de Maratona XCM - Relato de Hugo Prado Neto

--_O Mundial de Mountain Bike Maratona – XCM, realizado em Montebelluna, na Itália, proporcionou grandes surpresas. Começando pelo número de inscritos: mais de 2000 e um calor que eliminou cerca de 20% dos atletas. Mas o principal disto tudo foi a primeira vitória de uma bike aro 29" em mundiais da UCI, com o suíço Christoph Sauser – emplacando o bi-campeonato. E de sobra, a segunda colocação de Jaroslav Kulhavy – que já usa bike 29 há muito tempo.
--_Na categoria feminina, a dinamarquesa Annika Langvad confirmou o favoritismo na Elite, completando os 98.3km em 4:20:33. Langvad não é uma desconhecida, pois ela já vinha ganhando provas de longa distância na Europa nesta temporada. Na segunda colocação ficou a Sabine Spitz, medalha de ouro em Pequim.
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--_O mineiro Hugo Prado Neto foi o único brasileiro que representou o país, terminando a prova na 68º colocação. O técnico e diretor da OCE Treine.net relata tudo sobre a competição, desde sua participação até o nível de organização, com destaque as 4 maratonas diferentes no mesmo dia que é organizada pela atleta Gunn-Rita Dahle Flesjaa – sétima colocada.

Quer saber mais? Então leia o relato de Hugo.
--_"Os 116 km do Mundial de Maratona foram caracterizados por um terreno ondulado, super rápido e um calor absurdo de mais de 32 graus com sensação térmica ainda maior. Considerando que estavam reunidos os melhores atletas do mundo nesta modalidade, a prova foi simplesmente rápida e furiosa, com um nível de desistência aproximando 20% do total de competidores.
--_Minha jornada para participar do meu 1º mundial de maratona começou na quarta-feira que antecedeu a prova. Viajei 9hrs de avião do Brasil, peguei um carro alugado em Genebra na Suíça, descansei um dia em um hotel e depois segui viagem por mais de 8hrs de carro na sexta-feira para chegar em Montebelluna, cidade da competição localizada a 50km da bela Veneza, na Itália. Tentei descansar o máximo que pude, mas ficou tudo muito em cima e a diferença de 5hrs do fuso horário dos países, não me deixou recuperar 100% para a prova.
--_Se o próprio vencedor da prova, que tem um dos currículos mais completos na história do nosso esporte (Cristoph Sauser), que está acostumado com as provas mais estruturadas do mundo, elogiou a prova falando que a organização montou um verdadeiro estádio de mountain bike. Vocês podem imaginar a estrutura que foi montada para esse evento, que na verdade teve 4 maratonas com 4 percursos diferentes no mesmo dia: Maratona para amadores curta, maratona para amadores longa, mundial de maratona masculino e mundial de maratona feminino. Ao todo mais de 2200 mountain bikers participaram dessas 4 provas! Teve pontos na prova que eu lia ponto de checagem 220... 221...222.....!”
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--_Dada a largada, a seleção italiana controlou a corrida com um passo feroz e colocou 5 ciclistas para puxar a prova, o que fez com que no km 65 (metade da prova), apenas 20 bikers estivessem no pelotão da frente. O calor insano causou a desistência de vários atletas renomados como, por exemplo, Julien Absalon (França) e Alex Moos (Suíça), que não conseguiram terminar a prova. No meu caso, o calor também me fez muito mal ao longo da prova, pois nos últimos meses no Brasil os treinos em Belo Horizonte estavam em sua maioria na casa dos 10 graus com sensação térmica perto de 0 com os ventos as 6hrs da manhã, ou seja, nessas circunstâncias de nada adiantava ser brasileiro!
--_Mais de 70 atletas, incluindo eu, sobraram do pelotão da frente com esse ritmo alucinante dos italianos e, a partir do km 12 de prova, encaixei em um pelotão de aproximadamente 15 ciclistas, mas logo ficamos apenas 5 e mantemos um excelente passo e fomos catando atletas pela frente. Estava totalmente em controle e alimentando muito bem, mas pela distância da prova e pelo calor, sabia que no final poderia faltar. Infelizmente meu gás acabou por volta do km 95, 20km antes do final da prova e tive que dar o meu melhor para terminar a prova.
--_Fiquei muito chateado nesses últimos km, porque simplesmente não tinha mais reação e sabia que esses pobres últimos km iriam afetar a minha excelente performance nos primeiros 95km de prova. Ao mesmo tempo via muita gente totalmente exausta e arrastando também! Foi uma experiência importantíssima para retornar ao mundial no ano que vem e ter um resultado ainda melhor e vir mais preparado para verdadeira batalha que é uma corrida valendo o título de melhor do mundo. Participar de um campeonato mundial ao lado dos melhores atletas do planeta é sensacional, a gente andava em pelotão voando descida abaixo e socando morro acima em uma sincronia muda, onde todos entendiam exatamente o que fazer para otimizar o passo para todos avançarem e chegarem são e salvos lá na frente.
--_Agradeço a todos que me apoiaram nesse projeto que apenas começou. De uma certa forma, eu simplesmente adicionei o mundial de maratona junto com a minha viagem para a Suíça aonde vou aprimorar meus conhecimentos como técnico e atleta, realizar treinamento em altitude visando o Brasil Ride e adquirir meu SRM (medidor de potência) para mountain bike, onde poderei otimizar meus treinos e coletar arquivos de competições no Brasil e no exterior individualizando ainda mais os treinos para meus atletas!
--_Obrigado ao amigo, atleta OCE e industrial Alfredo Ebrahim da VALOREM que juntamente com meus pais e meus patrocinadores 2011 fizeram desse projeto uma realidade!
--_Obrigado também a KHS Brasil, pneus CST, INFANTI, OCE-treine.net, Valorem, DaMatta, Grupo Franzen e Giro Sport Center por me ajudar a finalizar meu primeiro mundial de maratona! No ano que vem o mesmo mundial será na França e prometo ir preparado para a guerra novamente, com mais experiência, falando a língua do país e com mais armamento no meu arsenal!
--_Valeu Pedal.com.br pela mídia profissional e imparcial no mundo das duas rodas!"
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Fonte: Pedal.com.br
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